quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Notícias de lá

Finalmente, voltei. Ainda não coloquei meu sono em dia e não consegui responder a todos os comentários que chegavam pela caixa postal.. Cheguei na segunda à tarde e na terça já estava trabalhando com gás total. Estive em Los Angeles e La Vegas. Calma, não extraí meu próprio dente, não esqueci uma amiga no terraço do Hotel, não roubei carro de polícia, não escondi ninguém no porta-malas do carro e não sequestrei o Tigre do Mike Tayson. Além disso, bebi, mas não me embebedei, não ganhei no cassino e não me casei!

Muito bom viajar. Conheci estas duas cidades e a Disneylandia (é a Disney world em miniatura), uma graça! Em Vegas vivi mesmo como turista naquela cidade cenográfica, já em L.A., apesar do turismo, senti bem como é a vida do californiano, já que convivi com minha prima que mora lá há 20 anos e seus amigos. Claro que não pude deixar de me informar sobre a saúde de lá. Para quem não conhece, lá não existe SUS, apesar de esse sistema ser um exemplo e muitos países tentam implementá-lo, mas não conseguem. Falo do SUS que está no papel, lindo como ele só, e não do que acontece na prática, com tanta roubalheira e corrupção. Talvez se lá tivesse SUS, funcionaria. O fato é que a saúde nos EUA não é para todos, não é gratuita. Os planos de saúde estão mais ou menos como aqui e quase não há médicos americanos. Muitos médicos que atuam lá são imigrantes. Os hospitais tem todo recurso do mundo, mas depois chega uma conta bem gorda na sua casa. Quem não pode pagar, inicia uma dívida sem fim. Quem não tem endereço, vive na rua, tenta o perdão do governo para eliminar a dívida. Os pacientes não recebem os resultados de seus exames. Ficam retidos nos laboratórios, clínicas, consultórios. Um parto particular pode custar 16 mil dólares. Nenhuma paciente tem o direito de escolher o tipo de parto que quer ter. O médico que faz o parto não é, necessariamente, quem fez o pré-natal. As pacientes não tem o telefone do médico. Em caso de urgência, ligam, para uma central, que, se não resolver, a encaminha para uma emergência e a própria central é quem liga para o médico da paciente. Tem outdoors espalhados pela cidade com propagandas estimulando as pessoas a processarem um laboratório, caso tenha apresentado algum efeito colateral, ou o dentista, caso o ato de anestesiar lhe provoque dor. Incrível. O paciente não escolhe ir a um urologista, por exemplo. Ele tem que passar por uma consulta com o fisiologista e este, se julgar necessário, o encaminha para o especialista. Lá, assim como na Europa, eles evitam fazer muitos procedimentos em hospital. Preferem fazer a maioria em regime ambulatorial porque as internações são muito caras. E tome procedimento por anestesia local ou sem anestesia, por causa disso. Aqui, já estamos imitando isso. Na boa, tem coisas que dá pra aguentar, mas há outras que são como tortura fazer num consultório, sem anestesia adequada. Não existe SAMU. Se você for resgatado por uma ambulância na rua, aguarde a conta chegar à sua casa. Se você chorar na frente do médico, ele logo lhe pergunta se você tem pensamento suicida. Hã?
Outras coisas interessantes, lá as mulheres tem o hábito de usar talcos e desodorantes íntimos, tão mal falados aqui. Eu vi também um contraceptivo em forma de uma pequena folha quadrada que você coloca na vagina e impede a migração dos espermatozoides, como uma espécie de espermicida. Os espermicidas aqui são em forma de pomada ou gel. Lembram daquele coletor de menstruação, eu o vi por lá! Mas não encontrei camisinha feminina. Vi também que 1 Kg de vitamina custa menos de 20 dólares, contra R$ 100,00 daqui, uma caixa que dá para 1 mês. Ai ai.

Bom, a fonte deste post é de informações dos meus amigos que moram lá.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Eu vou, mas eu volto!

Amigaaasss, vim aqui rapidinho para lhes dar uma satisfação.. ficarei ausente por alguns dias. Tá bom, eu não tenho vindo aqui com tanta assiduidade, mas o trabalho está me consumindo muito! pelo menos tenho respondido a maioria das perguntas e comentários.

Eu vou, mas eu volto! Na primeira semana de dezembro estarei aqui novamente com mais temas pra vocês, prometo!

Beijos e até logo!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Compartilhando um momento difícil

Vida de obstetra não é fácil. Quando tudo está indo bem é uma maravilha, mas... nem sempre é assim. Hoje atendi um caso difícil e que deixou o plantão todo dividido, tanto que compartilhamos o problema com a família, que nos ajudou na nossa decisão, que ainda não sei se foi a certa ou não.

Uma gestante hipertensa, diabética, obesa e hipotireoidea, 26 semanas de gestação, 1 cesárea anterior. Quando nada poderia ser pior seu bebe não segue ritmo normal de crescimento e é acompanhado durante semanas, internada,  através de exames que avaliavam sua saúde intra-útero. Os exames iam ficando cada vez piores. Hoje foi a gota d`´agua. Um feto de 26 semanas pesando em torno de 400g que, pelos exames, ele não sobreviverá por mais de 1 semana dentro da barriga. Por outro lado, se nascer, suas chances de viver são muito, mas muito pequenas. E sequelas? poderão existir por toda a invasão de medicamentos, transfusão, tubos, etc. O que fazer? deixar o bebe lá dentro, já que a mãe estava com sua saúde controlada, mas sabendo do risco de óbito intra útero OU tirar esse bebe pensando que ele pode ter alguma chance de sobreviver?
metade dos plantonistas e pediatras defendiam o nascimento do bebe e a outra metade, deixar o bebe dentro da barriga. Querem saber a opinião dos pais? A mãe concordava em fazer o bebe nascer, já o pai tinha fé que um milagre acontecesse e de repente o bebe passaria a ganhar peso. Discórdia até entre eles...

Essa é a parte mais angustiante da obstetrícia, decidir o momento do nascimento de um bebe quando as coisas não estão indo bem (porque quando chega ao final e a gestante entra em trabalho de parto é mole, quem decidiu nascer foi a natureza). Caso difícil, minhas amigas. Resolvi contar para vocês porque meu dia não foi nada fácil.

Essas semanas tem sido muito corridas! Deu pra perceber que o último post tem 2 semanas, não é?
mas tenho feito o possível para responder às dúvidas e comentários deixados... beijos, não demoro!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Palestra na Marinha

Gente! eu disse que viria contar tudo pra vocês sobre a palestra que fiz para funcionárias da Marinha, ontem, lembram? Então...

Antes de tudo, eu não sou da marinha. Tenho um amigo ginecologista que trabalha lá e de vez em quando eles organizam palestras para os funcionários (não médicos) sobre algum assunto de saúde. A iniciativa é muito boa. Eles fizeram uma campanha para que os chefes de serviço liberassem suas funcionárias para assistirem a palestra, já que se tratava de um assunto sempre atual e importante: PREVENÇÃO DO CÂNCER DE MAMA. Esse foi o assunto escolhido porque Outubro está sendo o mês de campanha pela prevenção do câncer, o Outubro Rosa, como já havia dito.

Foi uma manhã muito agradável! Pena que nem todos os lugares estavam ocupados, mas tive a impressão de que as 80 pessoas presentes aproveitaram muito e entenderam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce! participaram muito, fizeram várias perguntas, inclusive os homens!

Fui muito bem recebida lá, desde o motorista até o comandante. Até recebi um livro, um botton da marinha e uma caneta- laser point de lembrança.



Selecionei alguns tópicos que são importantes para divulgar

CA de mama é o câncer mais comum na mulher e o segundo câncer mais comum na população geral. 



Estimativa de novos casos: 49.240 (2010)
Número de mortes: 11.860, sendo 11.735 mulheres e 125 homens (2008) . Dados do Inca. 


Fatores de risco para o CA de mama: 

¡Mulher > 50 anos
¡História própria ou familiar
¡Nuligesta ou primeira gestação tardia
¡Mulheres que nunca amamentaram
¡Obesidade, sedentarismo, tabagismo, etilismo
¡Dieta rica em gorduras
¡Exposição excessiva ao raio X
¡Menarca precoce (primeira menstruação)
¡Menopausa tardia  
¡Uso de TH por tempo prolongado
¡Uso prolongado de anticoncepcionais (em discussão)

Prevenção Primária:

lMudança de hábitos
lControle de fatores de risco

OBS: atividade física e amamentação são considerados fatores protetores
28% chance de câncer, segundo o INCA

Risco elevado para CA de mama:

¡História de parentes de primeiro grau antes de 50 anos ou CA bilateral ou CA de ovário em qualquer idade
¡Historia Familiar de CA mama masculino
Diagnostico de lesão mamária com atipia ou neoplasia lobular in situ


Prevenção Secundária: Diagnóstico precoce (tumores < 2 cm) 




O rastreamento da população de risco aumenta o diagnóstico de tumores em fases sub-clínicas aumentando chances de sobrevida!
Ideal
diagnosticar o câncer antes dos sintomas.
Estratégias:
profissional de saúde: promover informação
Governo: facilitar acesso ao serviço de saúde


¡
O AUTO-EXAME sozinho não reduziu a sobrevida no CA de mama. A maioria das mulheres que diagnosticaram precocemente o câncer faziam AUTO-PALPAÇÃO ocasional das mamas.

¡Sem técnica específica
¡Realizar ocasionalmente
¡Momento conveniente
¡Procurar serviço de saúde ao perceber alterações



CA de mama é muito comum!
¡Tem cura quando detectado precocemente, mas pode levar à morte no diagnóstico tardio
¡Devemos conhecer os fatores de risco
¡Controlando fatores de risco podemos evitar o câncer
¡Auto-palpação ocasional + consulta anual ao ginecologista + mamografia quando necessário: TRIPÉ para diagnóstico precoce


¡

As mulheres precisam perder o medo de diagnosticar o câncer. É melhor saber cedo e curar do que não diagnosticar e poder morrer. É assim, simples e direto. Muitas mulheres não se tocam. Só olham o rosto no espelho, não percebem alterações no próprio corpo. Não deveria ser assim. 

Meu papel como médica é passar informação. O do governo é oferecer e facilitar o acesso aos exames. O da paciente é fazer a auto-palpação e procurar o médico, fazer os exames. É todo mundo junto nisso, pessoal!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Prevenção de Câncer de mama





Outubro é o mês da campanha pela prevenção do Câncer de Mama. Fui convidada para apresentar (amanhã, na Marinha-RJ) uma palestra sobre o assunto para promover informação às militares e mulheres de militares, e resolvi estender o assunto para vocês.

O Câncer de mama é o câncer mais comum entre as mulheres e o segundo tipo de câncer mais comum na população geral. Este câncer tem cura quando é diagnosticado precocemente e tratado adequadamente. Um fator que dificulta o diagnóstico é a variedade de formas apresentadas e ausência de sintomas em sua fase inicial, mas o maior problema é o medo que algumas mulheres tem de descobrir o câncer. Isso só faz piorar o quadro, pois o diagnóstico tardio reduz as chances de cura e provoca a morte de mais de 11 mil mulheres por ano, segundo a OMS.

Nós, profissionais de saúde, precisamos incentivar a auto-palpação das mamas e o governo deve facilitar o acesso aos serviços de saúde. Existem maneiras de prevenirmos o câncer (prevenção primária) e de detectarmos precocemente a tempo da cura (prevenção secundária).

Os fatores de risco para o câncer são:


  • primeira menstruação precoce (abaixo de 12 anos)
  • menopausa tardia
  • não engravidar, primeira gravidez após 30 anos, não amamentar
  • história familiar (parentes próximos, corresponde a 10% do risco)
  • história pessoal (quem já teve câncer de mama, aumenta o risco de ter na outra mama)
  • fumo, álcool, obesidade, sedentarismo
  • dieta rica em gordura
  • exposição prolongada a radiação 
  • Terapia hormonal por tempo prolongado
  • uso de contraceptivos (em discussão: não é observado na prática)
Os fatores protetores de câncer são: prática de exercícios físicos e amamentação. 

Sabem por que a amamentação pode proteger? Porque as glândulas mamárias são imaturas, mas quando elas produzem leite se tornam maduras. Células maduras são mais estáveis e, portanto, tem menos risco de crescerem desordenadamente causando o câncer.

Ao controlarmos os fatores de risco estamos tentando evitar o câncer. Ainda na prevenção primária discute-se muito sobre a pesquisa de dois genes no nosso corpo, o BRCA 1 e BRCA 2. A presença destes genes quer dizer que podemos desenvolver o câncer. A proposta seria fazer cirurgia de retirada de mamas profilática e quimioprevenção. Isso ainda é muito discutido. Vale à pena se submeter à mastectomia pensando em não ter o câncer se nem se sabe se quem tem o gene vai realmente desenvolver o câncer? é complicado. 

Quanto à prevenção secundária, falamos de detecção precoce: auto-palpação das mamas, consulta médica anual e mamografia, quando indicada. 


MAMOGRAFIA










Antes falávamos do auto-exame das mamas. Mas estudos demostram que essa prática não aumentou o número de diagnósticos precoces do câncer. Todavia, quando falamos de auto-palpação estamos incentivando a mulher examinar sua mama sem técnica, sem rotina. Assim: a mulher deve ir ao ginecologista anualmente para que este examine sua mama. No intervalo entre as consultas ela deve palpar suas mamas ocasionalmente, num lugar que esteja confortável, a qualquer momento, sem seguir regras. Caso desconfie de algum nódulo, deve antecipar a consulta seguinte. Estudos demonstraram que essa forma contribuiu mais para o diagnóstico precoce que o auto-exame. 

Mulherada, fiquem atentas caso percebam algum nódulo que não suma depois da menstruação, que seja indolor, mas não entrem em pânico! A maioria dos tumores de mama são benignos! Mesmo assim, procure o ginecologista para que ele tome as medidas necessárias. Se houver saída de sangue pelo mamilo, se houver retração na pele, ou pele em casca de laranja, se o mamilo se inverter de repente, se a pele ficar vermelha com o se estivesse inflamada... procure o seu médico nestes casos, ok?




Depois da palestra volto aqui pra contar a vocês como foi! 

Vocês conhecem o "Miss Cup"?

Recebi um e-mail de uma amiga que me enviou um link de um site que vende um produto que substitui o absorvente que usamos durante a menstruação. Ideal para quem tem alergia ao absorvente e melhor que o absorvente íntimo, diz o vendedor. Ela queria saber se eu conhecia e o que eu achava. Resolvi compartilhar com vocês.

http://www.alergoshop.com.br/vs2/detalhe.asp?shw_ukey=40816143829BN6ADGO#info

Eu respondi a ela: "Anna, que troço é esse?"

Um nome tão doce, uma imagem tão estranha..
Confesso que achei muito esquisito! Além do mais, é caro pra dedel!
Não consigo me imaginar indo ao banheiro para retirar um coletor cheio de sangue de menstruação de dentro de mim.. afe! Mas depois pensei: isso pode resolver o nosso problema quando preciso saber a quantidade de sangramento de uma pessoa que diz estar com hemorragia, por exemplo.
Eu estou curiosa para saber o que vocês acharam.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

tá com estômago embrulhado?

Boa parte das gestantes sentem muito enjoo no início da gravidez. É tão comum que tem mulher que acha que algo está errado se não enjoar. Pra mim, elas tem é que agradecer!

Emese gravídica é o quadro de náuseas e vômitos, que se inciam no início da gravidez e terminam até o quarto mês. Geralmente, quem mantem esse quadro após esta época tem algum problema gástrico, como a gastrite, por exemplo. Como se não bastasse só enjoar e, às vezes, chamar o Juca ou o Raul (coitado de quem tem estes nomes..), a persistência e exacerbação do quadro pode levar à desidratação, inapetência, distúrbios nutricionais até com perda de peso. A esse estágio, damos o nome de Hiperemese gravídica.

É difícil saber a causa exata, pois muitas coisas podem estar envolvidas: pode surgir como uma resposta ao HCG (hormônio produzido na gestação-quanto mais HCG, mais náuseas. Não é à toa que as mulheres que estão esperando gêmeos enjoam mais); deficiência de vitamina B6; toxinas produzidas nas vilosidades coriônicas; causa psicossomática. Pois é, existe a associação entre quadros graves de hiperemese e o momento que a gestante está vivendo. Tudo pode influenciar: se foi uma gestação não desejada, se está passando por problemas na vida pessoal, com o parceiro ou qualquer outro familiar, no trabalho, financeiro, enfim, isso não é uma regra e nem foi comprovado através de estudos científicos, mas a maioria das gestantes de bem com a vida, quando enjoam, não evoluem para a hiperemese.

O tratamento da emese se baseia em manter uma alimentação sólida e gelada, de preferência (gelo, picolé de frutas, salada, frutas...) e não ficar muitas horas sem se alimentar (quem enjoa sabe que é mais frequente pela manhã, depois de horas dormindo). Comer de pouquinho em pouquinho, a cada 2 ou 3 horas, sem se preocupar em bater pratão de almoço ou jantar. Além disso, muitas vezes é necessário a ajudinha de uma medicamento anti-emética indicado pelo obstetra. Para quem está apresentando vômitos, o importante é não desidratar. Além da alimentação acima e dos medicamentos, tomar água de coco gelada e isotônicos, como Gatorade, para quem gosta, ajuda muito. Há casos que necessitam de internação, jejum prolongado, hidratação venosa, reposição dos eletrólitos perdidos nos vômitos, até mesmo o uso de medicamentos tranquilizantes.

Uma coisa que ajuda muito as gestantes enjoadas é dormir. Como também é comum a gestante ter um sono quase incontrolável no início, ela pode se aproveitar disso e dormir! Não enjoamos enquanto estamos dormindo. Ai como a natureza é sábia! Bom, dormir é pra quem pode, eu sei, uma preciosidade na rotina da vida moderna. Ah, mas se você está grávida, dá-se um jeito :)


Bom, emese e hiperêmese são intercorrências comuns na gravidez assim como existem muitas outras que eu irei colocando aqui no blog. Só não queria que vocês achassem que engravidar é horrível porque passa por tantas coisas, tantas transformações, enfim. Vê-lá, heim? Acho que a gente pode tirar de letra esses inconvenientes só de pensar no fruto disso tudo.

Até o próximo post! Estou tentando não demorar pra escrever, mas está difícil..
Beijos!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Vacinas - atualização

Genteeeeee...
Semana passada fui numa aula sobre vacinas. Não estava levando nenhuma fé, pensei que fossem falar a mesma coisa de sempre, mas não! Temos mudanças!

Pra começar, eu queria chamar a atenção de todos para colocar suas vacinas em dia, pois todo mundo só se preocupa com vacinas durante a infância ou quando engravida. Às vezes, quando o governo faz campanha. Confesso que a culpa é nossa, profissionais de saúde. Mas eu me redimi. Desde que fui numa jornada sobre o tema entendi a importância de perdermos 5 minutinhos da consulta para conversar sobre vacinas com nossos pacientes. Na verdade isso não é perder minutos e sim ganhar, concordam?

Atenção MENINOS!!! a vacina para HPV já está disponível.

Falei disso em post anterior, mas quero ressaltar a importância em se vacinar. Meninas também!!! Agora, sabe o que é mais legal? Muitos planos de saúde cobrem a vacina. Alguns reembolsam, outros dão desconto! Não é ótimo??? Para as meninas a vacina se apresenta de duas maneiras, a bivalente e a quadrivalente, já para os meninos só existe a quadrivalente.

Uma coisa que me surpreendeu foi o retorno da Coqueluche no país. Já está presente em vários estados e mesmo que você tenha tomado a vacina na infância, deve se vacinar novamente. Além disso a meningite, que também é uma doença muito perigosa, está forte na Bahia, mas não é exclusividade daquele estado. A vacina que tomamos na adolescência era diferente da atual. Vale vacinar novamente.

Cabe aqui um parágrafo sobre a vacina contra o tétano. Antigamente, para o reforço desta vacina eram administradas três doses com intervalos de 1 ou dois meses, principalmente nas gestantes com vacina anterior há mais de 10 anos. As gestantes que se vacinaram há mais de 5 anos e menos de 10, necessitavam apenas de 1 dose na gestação. Essa recomendação se mantém, mas a anterior mudou. Mesmo as gestantes que se vacinaram há mais de 10 anos só necessitam de 1 dose de reforço, pois é só um reforço, como o nome mesmo diz. Melhor pra nós, porque essa agulhadinha dói, viu?

Procurem seus cartões de vacina (se ainda existirem, eu acho que nunca tive um, mas tenho uma reunião de papéis de comprovantes de vacina, todos juntinhos em algum lugar que não sei onde), conversem com seus médicos que irão lhes indicar as vacinas importantes que devem ser atualizadas, ok?

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

"Para você é leite. Para a criança é vida"

Recentemente comemoramos o Dia nacional da doação de leite humano e o Ministério da Saúde anunciou a ampliação dos bancos de leite na região norte e nordeste do Brasil. A campanha tem o slogan "Para você é leite. Para a criança é vida" e a madrinha é a atriz luciana Gimenez, apesar de eu achar essa foto da Juliana Paes bem mais bonita. Para quem se interessar, acesse o site do Ministério da Saúde e saiba tudo sobre doação de leite, bancos de leite, vantagens da amamentação, o que fazer quando se tem que trabalhar e amamentar ao mesmo tempo (duvido que você tenha vivido essa situação,, rss)




http://www.igospel.org.br/userfiles/02_08_amamentacao.jpg
Texto retirado do site do Ministério da Saúde:



Toda mãe que amamenta é uma possível doadora de leite humano.
Com o leite materno, o bebê se desenvolve com saúde, tem mais chances de recuperação e fica protegido de infecções, diarreias e alergias. Se você está amamentando, procure o banco de leite humano mais próximo e seja uma doadora. Seu gesto pode salvar vidas.

No site veja:

Preparo do frasco para guardar o leite
Higiene pessoal antes de iniciar a coleta
Local adequado para retirar o leite
Retirar o leite das mamas é simples
Como guardar o leite coletado?
Como conservar o leite coletado?





Você também pode ajudar doando potes de vidro com tampa de plástico (tipo pote de maionese ou café solúvel). Os bancos de leite precisam constantemente de doação desses potes para ajudar no armazenamento do leite humano doado.
Mas lembre-se: não pode ser pote com tampa de ferro, alumínio ou outro material.

Para doar, procure o banco de leite humano mais próximo. 
 






  • A produção do leite depende do esvaziamento da mama e, quanto mais a mulher esvazia as mamas, mais leite ela será capaz de produzir.
  • Todo leite doado será analisado, pasteurizado e submetido a rigoroso controle de qualidade antes de sua distribuição.
  • Todo leite descongelado não deve ser congelado novamente.
  • Para outras orientações, procure ou ligue para o banco de leite humano.



         







Acesse o site e veja a 

Cartilha para a mãe trabalhadora que amamenta!!!!!


Lá você vai saber sobre seus direitos, o que fazer quando voltar a trabalhar, sobre licença

maternidade, paternidade e amamentação, sobre creches ou berçarios, como armazenar o 

leite, como amamentar nos intervalos, etc.

Vejam também estes sites:


http://www.amigasdopeito.org.br/

www.aleitamento.com







    terça-feira, 4 de outubro de 2011

    Protetor diário de calcinha que não abafa?

    Gente, eu sempre fui contra uso de protetor diário de calcinha como já revelei em post sobre candidíase lá no início do blog. Pra quem não tem predisposição para desenvolver inflamações vaginais, beleza, mas para quem está sempre com corrimento, coceira, irritação na região íntima, os absorventes diários abafam mais ainda uma região que já é quente, úmida e abafada. Prato feito para a proliferação de micro-organismos. Aí não dá, né?

    Tem que ventilar!! Vale dormir sem calcinha, usar mais saias ou vestidos, evitar permanecer com biquíni, roupas de ginástica, calças jutas, usar calcinha de algodão no dia-a-dia (e não adianta reclamar que são feias. Tem muita calcinha de algodão bonitinha por aí, além do mais eu não acho que nós devemos abolir nossas lingeries lindas de lycra e renda, mas podemos usá-las em algumas ocasiões... e podemos escolher as de algodão para a rotina).





    Tudo pra dizer que a Carefree lançou um protetor diário de calcinha que vai nos surpreender, prometendo não abafar a genitália. Recebi amostra de dois tipos diferentes, um que se chama Brisa que apresenta camada respirável que deixa passar 3x mais o ar, e outro que se chama Original COM PERFUME, socorro!!! e camada plástica que retém a umidade mais intensa. Ai gente, não dá. É tudo protetor de calcinha e pronto. Se sem usar absorvente, mas abafando com calça jeans, por exemplo, já é ruim, qualquer coisa a mais que você coloque ali vai abafar. Ainda mais com perfume! Ah não, me desculpe a Johnson, que é uma marca que gosto e respeito, mas essa novidade não me convenceu. Para quem deseja saber se usar este tipo de absorvente diariamente é a solução para evitar os protetores antigos, minha resposta é:







    terça-feira, 27 de setembro de 2011

    É hora de ser mãe ou filha?




    Hoje eu fiz o parto de uma menina com 13 anos que deu à luz ao seu segundo filho
    Eu sinceramente não sei se era motivo para comemorar ou lamentar. Feliz pela saúde de seu bebê, triste pela situação. Ver a jovem mãe sorrir ao ter seu filho chorando em seus braços me fez pensar no que será do futuro de ambos. Vão viver de quê? quantos filhos mais essa menina terá? ela se sente preparada para ser mãe? Ela está dando conta de criar o mais velho? Ela interrompeu seus estudos? E o pai da criança, quem será? Ela tem apoio da família? Desejou engravidar? Numa fase da vida que ela deveria estar ainda recebendo educação, é ela quem educa outro alguém.  


    Tudo bobagem, pura preocupação minha. Problemas sociais à parte eu fico pensando em todos os recursos de planejamento familiar que temos à disposição das pessoas, gratuitamente. Falo do Rio de janeiro, capital, e não de um lugar no interior, cuja realidade é outra. O governo faz campanha, os postos de saúde distribuem anticoncepcionais e camisinhas, sobram DIUs. O que acontece para que as pessoas continuem não evitando uma gravidez indesejada ou não planejada? Digo isso porque eu pergunto a elas se queriam ter engravidado. Elas não respondem um simples: "não" e sim "nããããooo!" então por que? e pergunto sobre métodos contraceptivos e elas me olham com uma cara de interrogação! "_Por que você não usou nada, então?"  "_ ah, não sei.." 


    Existem tantos métodos para se evitar uma gravidez, existe até a pílula do dia seguinte. Por que ainda tanta gente não os utiliza quando necessário? Por que tantos abortos provocados por gestações "impossíveis" de se levar à diante? Por que esse mês teve record de abandono de bebês lá na maternidade? 


    Enfim, um assunto muito na moda é a gestação em idade avançada, mas não podemos esquecer dos riscos da gestação na adolescência, pois o corpo dessa menina ainda não está preparado para receber um bebê. Gravidez na adolescência é um problema de saúde pública. A adolescente grávida tem maior risco para desenvolver infecções urinárias, hipertensão, prematuridade, anemia, placentas insuficientes, entre outros riscos. Fora o fato de interferir mais na escolaridade, na sua vida conjugal, em fatores psíquicos e sociais. 


    Eu não conheço uma garota que tenha engravidado na adolescência por vontade própria, planejando ter um filho nesta idade. Então, onde estará a falha? 

    quinta-feira, 22 de setembro de 2011

    Todos os partos são especiais, mas o dele...


    Hoje o meu sobrinho lindo e afilhado, João Guilherme, faz 2 anos. Este post é em homenagem a ele. 
    Parto é sempre emocionante. Independente do tipo de parto e de quem é o parto. O coração palpita ainda hoje, após anos e anos fazendo isso, apesar de algumas pessoas acharem que, pra gente, é tudo a mesma coisa. Não é. Também não posso negar que fazer parto de filhos das minhas amigas e familiares tem um "quê" especial. Meus amigos são daqueles que conheço há 20 anos ou mais, sabe? Amigos do Jardim I (nem sei como se chama o jardim I hoje em dia, mudou tudo). É muito legal fazer o parto de seus filhos. Caramba, é um barato! Foi assim com o parto da Raquel, da Patrícia, da Ingrid, da Tânia, da Barbara (esposa do Silvio que virou minha amiga), da Renata e da Flavia (minhas primas), da Daniele, da Renata Cristina, da Ângela, e tantas outras amigas... agora tem mais uma grávida (Bernardo nasce em março). 

    Mas esse post é do João. Eu vou abrir meu coração: foi diferente. 
    Eu tive que indicar a cesárea porque a Fernanda (minha cunhada) teve insuficiência placentária já no finalzinho da gestação. Em 1 semana o líquido amniótico simplesmente desapareceu sem que sua bolsa d`água tivesse se rompido. Diante desse quadro, não tive outra opção. Antecipei 2 dias do que estava programado e ele nasceu em 22 de setembro de 2009. Me lembro como se fosse hoje. Meu irmão me ligando para dar o resultado da ultra e eu respondendo: " adramnia? então fala pra Fernanda não comer mais nada e ir pra São José que o João nasce hoje". Meu irmão me ouviu, mas estava apresentando um pequeno atraso de conexão da orelha para o cérebro, normal nos pais de primeira viagem. Ele respondeu "mas Fernanda, nós marcamos para dia 24". Pois é. Mudança de planos, normal em obstetrícia. 

    Foi um parto ótimo. Eu e uma amiga obstetra operamos a Fê. Minha mãe, que também é obstetra, atuou no papel de avó. É isso mesmo. Vetei a participação dela porque era o nascimento do seu primeiro neto, depois de tantos anos de espera...tinha que curtir como avó. Estavam lá o meu irmão no papel de pai, irmão, filho, amigo e marido, minha pediatra, minha anestesista e minha instrumentadora. Clima de festa já que todos eram amigos entre si, paciente e equipe. Parecia uma cesariana como todas se não fosse a hora de colocar minha mão na cabeça do João para tirá-lo de dentro da barriga da mãe. Nesse momento deu um frio na minha barriga "caramba, é o meu sobrinho". Tudo bem que esse momento durou 2 segundos. E ele nasceu, lindo, chorando igual ao pai. Ele nasceu a cara do Eduardo. Mas era a cara do Eduardo chorando quando criança. Foi um parto inesquecível. É meu único sobrinho. Meu primeiro contato de verdade com crianças, já que minha família é pequena e sem crianças por perto. Esses dois anos convivendo com o João foram incríveis. Nunca havia trocado uma fralda antes e não entendia nada de cuidar de bebê. E ele é espertíssimo, inteligente, fala pelos cotovelos. Me surpreendo cada vez que estou com ele. Agora, quer saber o que eu adoro? é quando ele me vê, sorri e fala "Dindaaa". 



     Feliz Aniversário, lindão da titia!






    segunda-feira, 19 de setembro de 2011

    Quando amamentar não sai como planejamos

    Já não basta a mudança total de rotina quando nasce um bebê, ainda convivemos com o medo de ter uma Mastite nesse período...

    Mastite é a infecção da mama que pode ocorrer em quem está amamentando ou não. A área afetada fica dolorida, avermelhada, endurecida, e pode vir acompanhada por febre, calafrios e mal-estar.
    Acontece em cerca de 2% das mulheres que amamentam, já que o mamilo ou fissuras imperceptíveis na pele da mama podem servir de porta de entrada às bactérias que moram na nossa própria pele, como a Staphilococcus aureus, ou por bactérias que vem de outros lugares, como o estreptococo beta-hemolítico, E. coli e Haemoplilus influenzae. 

    Existe diferença entre a Mastite, o Engurgitamento mamário e obstrução de um ducto mamário. Quando uma parte da mama está endurecida, percebe-se uma "nodulação" dolorida e não há febre, estamos falando de Obstrução de ductos, que é resolvido, na maioria das vezes com aplicação de compressas mornas e massagem local e ordenha da mama afetada. Quando a dor é nas duas mamas, generalizada, as mamas estão cheias, sem se identificar um nódulo ou área dura, tratamos de Engurgitamento, que também se resolve com compressas mornas e ordenha da mama para tirar o leite acumulado. Para isso, muitas vezes é necessário utilização de uma bomba de sucção, dessas compradas em farmácia. Agora, quando há febre, região vermelha, dura, dolorosa, como disse acima, isso é mastite e deve ser tratada com uso de antibióticos, anti-inflamatórios, compressas mornas com massagem para esvaziamento da mama. Muito cuidado com as compressas mornas! Se já tiver ocorrido a formação de um abcesso, podemos não perceber a quentura verdadeira da compressa e acabar queimando a mama. Deus me livre!

    A compressa pode ser substituída pelo banho com água morna do chuveiro. Enquanto a água morninha vai caindo sobre a mama, você vai massageando a área afetada e ordenhando a mama para ir esvaziando aos pouquinhos. Você não vai conseguir esvaziar de uma vez. Deverá repetir o processo várias vezes ao dia. Como a água morna pode estimular a produção de leite, uma dica é colocar compressa fria cada vez que terminar a ordenha. Isso vai evitar que a produção aumente num momento que não é para aumentar, mas também não vai cessar a sua produção, e sim, controlar.

    Como fazer a ordenha? Faça pequenos movimentos circulares na mama, usando a ponta de dois ou três dedos, sem deslizá-los sobre a pele. Comece massageando a aréola e depois siga o sentido do mamilo para fora, para desobstruir os ductos que estão perto do bico (não adianta desobstruir a parte externa sem tirar o que está obstruindo lá na frente, perto da saída). Após massagear um pouquinho, faça a ordenha: com a mão em forma de C, use os limites da aréola, empurre a mão contra o seu corpo e aperte para permitir a saída do leite. Faça isso várias vezes. Massagem-ordenha-massagem-ordenha. Após tirar o leite como na posição da segunda figura, faça o mesmo movimento em outro sentido, como na terceira figura.




    O leite extraído manualmente ou através de bombinha pode ser oferecido ao bebê, mesmo usando antibiótico para tratar a mastite. O uso de um copinho é a melhor maneira de oferecer leite ao bebê porque o movimento que ele faz para mamar no copo é o mesmo que faz na mama. Já o bico da mamadeira é diferente e o bebê pode fazer confusão de bicos e desistir de mamar. A dica de fazer a ordenha manual e dar leite no copinho vale também para quem está com os mamilos muito rachados. Enquanto o mamilo cicatriza você pode ir dando o seu próprio leite no copinho. 

    Só para lembrar, a pega correta do bebê é capaz de evitar a fissura dos mamilos.

    (texto complementar sobre cuidados com amamentação neste Blog, editado em maio/11)




    Amamentar nem sempre é fácil. É preciso orientação profissional, paciência, calma e insistência, além de abrir mão de boas horas de sono, claro, pois o bebê necessita mamar várias vezes durante o dia e a NOITE! Quando pergunto à mãe sobre como está a amamentação e ela responde "_ah, ele é um anjinho, dorme a noite toda", eu me preocupo "_hummmm, este bebê não está mamando exclusivamente ao seio. Amamentar requer um ambiente tranquilo (em minha opinião) e observar alguns (muitos) detalhes: se a posição da mãe e do bebê estão adequadas, se a pega do bebê está correta, se o bebê está pegando bem o peito, etc. Tomar cuidados para que os mamilos não rachem e para que o leite não empedre. Acho que todo mundo sabe quais são as vantagens da amamentação, tanto para a mãe quanto para o bebê. Mas às vezes é preciso fazer uma reflexão. Há mulheres loucas para amamentar, mulheres muito ansiosas, nervosas, passando por dificuldades ou problemas familiares ou afetivos, mulheres que sabem que devem amamentar, mas que, no fundo, não desejam amamentar; mulheres que se entregam de corpo e alma à amamentação, outras que até tentam, mas se houver dificuldade, desistem. Há também mulheres que não podem amamentar, como as que são portadoras do HIV, as que usam quimioterápicos, mulheres com catapora, com lesões de herpes na mama e que estão com tuberculose sem tratamento. Sem esquecer de falar de mulheres que querem amamentar, mas que não conseguem produzir leite suficiente. É o caso de quem fez cirurgia de redução de mama (nem todos os casos) e quem está passando por um estresse. Minha mãe, por exemplo só me amamentou por 15 dias. Ela não tinha licença-maternidade, não tinha apoio do meu pai, estava cheia de problemas e responsabilidades. Resultado: nada de leite. Naquela época não existia banco de leite, não se sabia muita coisa e, por isso, ainda era permitido ter mãe de leite e foi o que me salvou, pois eu não aceitava nenhum outro tipo de leite, papinha, nada. Já o meu irmão traçava tudo que via na frente e  não recebeu leite humano. Eu era uma criança mais saudável que ele.  Resumindo, eu acho que a gestação deve ser desejada e planejada. E isso envolve também a sua entrega no período pós-parto, que não é fácil. Quem amamentou bem sabe dos benefícios, mas quem tentou, fez de tudo e não conseguiu, não vai ser mãe pior por este motivo. Não se culpe por isso, mãe.

    segunda-feira, 12 de setembro de 2011

    Aborto, a situação que ninguém quer passar




     Nem sempre as coisas saem como planejamos. Algumas vezes a gravidez tem um desfecho inesperado: o abortamento. Tem gente que pensa que aborto é sempre quando se provoca a perda do feto. Não é verdade. Aborto é quando se perde um bebe até 20 ou 22 semanas de gestação ou o feto pesando menos de 500g. Existe aborto provocado, considerado crime no Brasil, e o espontâneo.

    Cerca de 40% das mulheres perdem um bebê em algum momento da vida. A maioria dos abortos acontecem por alterações cromossômicas no desenvolvimento do embrião, logo no comecinho da gestação.  As alterações cromossomiais podem ser entendidas como um defeito na fabricação. Não que a fábrica seja ruim mas, às vezes, o controle de qualidade de uma excelente fábrica falha, então, mesmo o casal saudável pode "fabricar" um embrião com defeito incompatível com a vida e a natureza trata de resolver a situação fazendo a mulher abortar. Algumas doenças, infecções ou acidentes graves também podem provocar perdas fetais. Em casos de intoxicação materna onde a mulher é gravemente atingida também pode ocorrer o aborto. Causas hormonais (baixa de progesterona, hormônio importante para manter a gravidez) também são causas comuns.

    Vocês já devem ter ouvido falar em vários tipos de aborto: aborto inevitável, completo, incompleto, infectado, retido, habitual, aborto molar e aborto tubáreo.

    Aborto inevitável: quando acontece sangramento uterino com o orifício interno do colo dilatado, especialmente se também houver perda de líquido amniótico. Pra mim esse é um dos tipos mais difíceis de lidar devido a fatores emocionais, legais, médicos e religiosos, pois muitas vezes o feto está vivo. O obstetra sempre fica numa situação difícil. Sem líquido nessa idade gestacional é praticamente impossível que o feto se desenvolva. Se ele nascer, não sobrevive. Esperar o óbito fetal espontâneo para depois fazer a mulher abortar? Quanto tempo isso pode levar? Se permanecer com a bolsa rota por muito tempo pode provocar uma infecção no útero. Decidir a conduta nesses casos é sempre complicado.

    Aborto Incompleto: Quando a mulher engravida, se formam dentro do útero: a vesícula vitelínea, o saco gestacional, o embrião (que depois se torna feto). No aborto incompleto a mulher apresenta sangramento e quando faz a ultrassonografia já não tem mais embrião (que já havia aparecido em ultrassonografia anterior) ou o saco gestacional. Como permanecem restos ovulares dentro do útero, é necessário fazer uma raspagem cirúrgica, que pode ser por curetagem ou aspiração manual à vácuo.

    Aborto Completo: nesse caso não há necessidade de tratamento cirúrgico, pois a ultrassonografia revela que não há restos embrionários ou fetais dentro do útero (já saiu tudo). Se resolveu sozinho.

    Aborto Retido: quando ainda está tudo lá dentro, embrião e saco gestacional. A gestação pára de evoluir. Na maioria destes casos a mulher passa a sentir cólicas e sangramento dias ou semanas depois da parada de evolução da gestação e elimina o embrião / saco gestacional durante o sangramento, deixando de ser  aborto retido e passando a ser incompleto. Para o aborto retido, podemos esperar que este se torne incompleto para realizar curetagem (essa espera pode ser cruel para a mulher, mas é prudente, já que minimiza riscos de uma curetagem num colo fechado e não é risco para infecções -que é sempre a dúvida das pacientes); usar medicações vaginais para dilatar o colo (quando disponíveis) pode levar dias e a paciente deve estar internada durante todo o processo; fazer a aspiração à vácuo. Tudo depende da idade gestacional no diagnóstico e das condições clínicas da paciente.
    Outra forma de aborto retido é o Ovo cego, ou gestação anembrionada (quando se forma o saco gestacional, mas não se forma a vesícula vitelínea, o embrião ou batimentos cardíacos após 6 semanas de gestação)

    Aborto molar: a Mola Hidatiforme pode ser completa, quando não se forma saco gestacional e embrião, e parcial, quando a gestação se desenvolve junto com a Mola. (esse assunto é complexo, prefiro em falar em outro post)

    Gestação ectópica: quando a gestação acontece na trompa, no ovário, no colo do útero ou no abdome. Destas, a mais comum é nas trompas. Não dá para o embrião se desenvolver nestes lugares, então, evoluem para o aborto. O tratamento é cirúrgico, mas em alguns casos, adota-se a conduta expectante com medicamentos. A gestação abdominal, rara, até pode evoluir, mas é cheia de complicações maternas e fetais. Até hoje já vi um único caso, há anos.

    Aborto infectado: Quando o abortamento evolui com infecção, claro. Acontece quando há manipulação uterina, levando bactérias daqui de fora para dentro do útero. Na maioria das vezes acontece no aborto provocado.

    Aborto Habitual: quando a mulher tem mais de duas perdas seguidas pelo mesmo motivo.
    Quando há necessidade de tratamento cirúrgico para o aborto, indicamos a Curetagem uterina ou o AMIU (aspiração manual intra uterina, à vácuo). Vocês sabem como são realizadas?

    Ambos são procedimentos cirúrgicos, realizados com a paciente deitada na posição ginecológica (a mesma que se faz preventivo), com anestesia geral e dura poucos minutos. Todo mundo pergunta se vai sentir dor. Não, não vai porque recebe anestesia. Em ambos os casos pode ser necessário dilatar o colo do útero com Velas (foto abaixo).

    Velas para dilatação do colo
    Ao término, a paciente sai acordada e ainda com soro e medicamento para manter o útero contraído. Após algumas horas a mulher pode receber alta e orientações de repouso por alguns dias.






    Pinça coletora usada na curetagem
    Na Curetagem (não é "coletagem") o médico usa o espéculo vaginal para identificar o colo, uma pinça para fixar o útero e instrumentos de ferro que capturam o material que deve ser retirado e outro para raspar o útero por dentro até perceber, através de seu tato, que já pode terminar o procedimento. Tem como complicação principal a perfuração uterina, rara em mãos experientes. Porém, não é tão incomum ainda permanecerem restos, o que indica necessidade de novo procedimento. Isso pode acontecer por vários motivos, mas o principal é que se trata de um procedimento às cegas, ou seja, o médico não tem a visão interna do útero. Úteros volumosos, com malformações ou com infecção também são fatores de risco para perfuração. Falar em perfuração parece ser assustador, não é mesmo? Mas na maioria das vezes esse problema se resolve com medicamentos que aumentam a contração uterina, mantendo a paciente em observação sem necessidade de cirurgia abdominal.

    AMIU
    AMIU, é a aspiração manual intra-uterina. A curetagem através desta técnica é ideal para colos fechados e aborto retido precoce (bem no iniciozinho da gestação). Também tem risco de perfuração e deixar restos, pelo mesmo motivo da curetagem convencional, mas como a cânula do AMIU não fica raspando na parede interna do útero (endométrio), o risco de causar sinéquias, que deixam a mulher sem menstruar ou com menstruação irregular, diminui. O que são sinéquias? Quando partes do revestimento interno do útero se "colam" porque essas partes ficaram desnudas de endométrio. Isso causa irregularidade menstrual ou ausência desta.  Por isso é importante ficar de olho no tempo que vai levar para a mulher voltar a menstruar depois de uma curetagem.


    Como muitas mulheres passam por uma perda fetal na vida e sempre tem muitas dúvidas sobre o assunto, resolvi trazer esse assunto para o blog. Espero ter esclarecido as dúvidas mais comuns. Falar de aborto é chato. Aborto já é uma palavra muito feia. Ninguém gosta de passar por isso. Nem as pacientes, familiares nem os médicos. Erra quem pensa que é fácil o médico dar esta notícia à paciente. Pra gente não é tudo igual. Por outro lado, alguém nesta história tem que ter os pés no chão e manter o controle da situação. Mesmo quando isso acontece com uma pessoa próxima (frequentemente me deparo com esta situação) eu tenho que manter uma postura mesmo que esteja arrasada. Está todo mundo triste. Imagine se eu entrar nesse clima e chorar junto! Tento sempre fazer com que a situação se torne amena, usando meu conhecimento médico que o paciente não tem, e não deixar que a emoção me faça tomar condutas manipuladas pelo psicológico meu ou da paciente. Essa é a parte difícil: fazer a paciente entender que a conduta ideal para ela nem sempre é a que ela queria que fosse.

    Por fim eu queria passar uma mensagem: se isso aconteceu ou está acontecendo com você, você não está sozinha nisso. Milhares de mulheres passam pela mesma situação, que não escolhe família, raça, credo, situação financeira ou personalidade para acontecer. Às vezes não era a hora e a gente não sabia. A maioria das mulheres que experimentaram uma perda recebe a glória de gerar um filho lindo e saudável e realizam o sonho da maternidade.






    terça-feira, 6 de setembro de 2011

    Xô TPM!


    Amigas! Acabei de voltar de um congresso de ginecologia em São Paulo. Foi ótimo. Adoro ir a São Paulo. Além de participar de bons cursos, pude jantar em lugares agradáveis como a cantina Famiglia Mancini e ainda assisti ao musical "As Bruxas de Eastwick", uma comédia que eu super recomendo (mas pra quem gosta de musicais). Os dias estavam lindos, com céu azulzinho e um frio delicioso! No congresso, falou-se de diversos assuntos. Um deles é a síndrome pré-menstrual. Como ainda não havia feito um post sobre TPM, aqui está ele.

    Quem pensa que TPM não existe ou é frescura está muito enganado. TPM existe e pode até deixar uma pessoa doente,  mas tem tratamento. TPM é coisa de mulher, sim, mas não há necessidade de ter TPM para se sentir mulher, né?

    Você sabia que cerca de 70% das mulheres tem TPM de forma branda? 10% das mulheres com TPM necessitam tratamento. Cerca de 5% delas apresentam sintomas neurológicos, a chamada síndrome disfórica.

    Por que EU tenho TPM?
    TPM tem haver com história familiar, por desequilíbrio hormonal e também tem causa psíquica.

    TPM não é só ficar irritada perto de chegar a menstruação. Qualquer sintoma de irritabilidade, alterações do sono, compulsão alimentar, retenção de líquido, dor nas mamas, dor de cabeça, náuseas, alterações intestinais, depressão, mal estar, desânimo, cansaço, dor nas penas, ansiedade, alterações emocionais, vontade de "matar um", que se inicia dias entes de menstruar e termina quando chega a menstruação ou pouco antes dela ir embora, é TPM. Eu tenho pacientes que se queixam destes sintomas e ainda dizem que os sintomas duram o mês todo. Isso não é TPM. T= tensão, P= pré (aquilo que vem antes, antecede), M= menstruação. Logo, os sintomas começam na segunda fase do ciclo menstrual, logo após a ovulação e terminam com a menstruação. Já quem usa anticoncepcional que faz pausa de 1 semana entre as cartelas, pode ter TPM quando termina a cartela, pois o organismo percebe que você está no intervalo sem hormônios. Fora disso, não é TPM. Tenho pacientes que dizem que a irritabilidade ou a dor de cabeça começa ainda no final da cartela. Isso não é TPM. Mais uma coisa: quem não faz pausa no anticoncepcional, ficando sem menstruar, também não tem TPM. Tem gente que reclama que não menstruou porque não fez a pausa do anticoncepcional, mas que sentiu todos os sintomas e foi pior porque a menstruação não desceu, o que aliviaria. Isso, na verdade, não tem sentido, pois quem usa anticoncepcional, sangra nos intervalos porque o organismo sente falta do remédio e a alteração brusca de hormônios faz sangrar. Se não fez intervalo e não sangrou, não tem como ter TPM. É uma das poucas coisas em medicina que eu realmente digo que é psicológico.

    Existem vários tratamentos para a TPM e a síndrome disfórica (forma mais grave). Vai desde a mudança de hábitos diários até medicamentos. A primeira coisa que você deve fazer é atividade física aeróbica, não só no período pré-menstrual. Outra coisa é não abusar de cafeína (refrigerante como a coca-cola, guaraná; café, chocolates, mates, chás), evitar gorduras. O fumo e o álcool podem piorar os sintomas da TPM, mas alguns alimentos podem evitar e até reduzir o quadro. São eles: cálcio (leite, queijo, iogurte, por exemplo), Vitamina D (leite, salmão, sardinha, óleo de fígado de peixe, cogumelo, ovos), Magnésio (folhas verde-escuras, granola, arroz integral, banana, beterraba, abacate), vitamina B6 (folhas escuras, batata, banana, salmão, atum, fígado, aveia, gérmen de trigo, amendoim, nozes, arroz integral), Vitamina E (cereais integrais, nozes, castanhas, azeite de oliva, azeitona, óleo de soja e de girassol, milho, gema de ovo, gérmen de trigo, agrião), água, ácidos graxos (pexe, atum, sardinha, salmão, óleo de soja azeite, rúcula, espinafre, linhaça, ômega 6 para controlar a oleosidade da pele (óleo de milho, de girassol, leite, ovos, lula), Zinco (vegetais escuros, carnes, leite, frutos do mar) e fibras (verduras, frutas, farelo de trigo, linhaça...).

    Entre os tratamentos estão os anticoncepcionais sem pausa (claro, se não menstruar, não tem TPM), os anticoncepcionais com pausa curta entre as cartelas, principalmente os com drospirenona, pois mesmo quando a cartela termina este hormônio continua agindo por mais 33 horas. Quando o organismo sente a falta dele, já está na hora de iniciar nova cartela e não dá tempo de ter a TPM. Para quem não usa anticoncepcional, existem outras opções como medicamentos a base de ácido gamalinolênico, de piridoxina - vit B6), plantas como o vitex agnus castus, óleo de borago officinallis, óleo de prímula. Alguns diuréticos especiais também podem ser usados quando a queixa principal é o inchaço neste período. Nos quadros mais graves, como os da paciente que tem síndrome disfórica, o tratamento pode ser com uso de fluoxetina ou sertralina. Esses medicamentos são controlados, mas sem causar dependência e são utilizados para tratar muitas coisas. Tudo depende da dose utilizada. Estes medicamentos tem resultados excelentes! Quando a coisa é mais branda os anteriores resolvem muito bem, pena que não são medicamentos encontrados no SUS e não são muito baratinhos.

    Portanto, meninas, se vocês sofrem com TPM, procurem tratamento e evitem um ato de violência. Se vocês tem vontade de matar o marido, por exemplo, esperem a menstruação ir embora para não tomarem nenhuma atitude por impulso. Mas se vocês querem muito matar o marido, aproveitem esta fase e usem isso como desculpa.

    quarta-feira, 24 de agosto de 2011

    Seu útero é virado ou invertido?





    Existem diferentes tipos de úteros. O útero da mulher é em forma de pera de cabeça para baixo. O das porquinhas é em forma de Y. (sei disso porque já operei uma porquinha. Os porquinhos ficam distribuídos ao longo das pernas do Y, por isso cabem vários porquinhos na barriga da mãe. Confesso que nunca havia estudado anatomia dos outros animais). Às vezes a natureza tira férias e fazem a mulher ter malformações uterinas. Então o útero pode ser: bicorno, unicorno, duplo, septado, arqueado. Mas isso fica para um outro post.

    Além disso, dentro do que consideramos útero normal (o que se assemelha à pera), existem variações de posição:

    AVF: útero antevertido ou em anteversoflexão
    MVF: mediovertido ou medioversão
    RVF: retrovertido ou retroflexão, popularmente conhecidos como útero virado ou invertido.

    São apenas variações. São todos normais. Cerca de 20% das mulheres possuem o útero retrovertido. É errado dizer que ele é invertido. Uma leitora me pediu esclarecimentos sobre este tipo de útero, então, vou tentar explicar.

    Útero virado e invertido não existem! A inversão uterina é uma emergência obstétrica que pode ocorrer no parto normal ou cesariana e deve ser rapidamente corrigido porque pode ser fatal.

    O útero assume uma posição anatômica desde que nascemos. O útero não é um órgão fixo. Calma, ele não sai andando pela nossa barriga, ele é sustentado por ligamentos. É como se você fosse trapezista e pendurasse seus braços, amarrasse um elástico na cintura de cada lado, e outros nas pernas. Deste modo o útero é móvel quando tocamos nele, até na relação sexual. Bem, o útero mais comum, o antevertido, tem seu corpo voltado para o abdome e "descansa" sobre a bexiga. Quando ele tem o corpo voltado para a parte de trás do nosso corpo é chamado de retrovertido. Também pode assumir posição mediana: mediovertido.

    Vejam as imagens:

    útero voltado para trás
    Retrovertido
    útero voltado para frente, sobre a bexiga
    Antervertido













    Essas posições são detectadas na ultrassonografia ou no toque vaginal ou até quando o ginecologista faz o exame especular e vê de onde está vindo o colo. O colo mais difícil para ser visto é o colo que vem de cima (quando o útero é retrovertido). O mais comum é o colo surgir de baixo conforme formos abrindo o espéculo (útero antevertido). Às vezes eu até comento com a paciente "espera aí porque seu colo tá vindo lá de cima" e tenho que quase me ajoelhar para visualizá-lo. É o colo do útero em RVF. Outras vezes falo "ah esse colo é moleza, mal passo o espéculo e ele está bem na minha cara" (é o colo do útero em MVF). O que vem lá de baixo (ou de trás) também é bonzinho. Não dá trabalho pra visualizá-lo, não.

    Veja a seguir o toque ginecológico. O dedo do examinador está dentro do canal vaginal e encosta no colo do útero. A entrada do colo está abaixo (posterior) do dedo do examinador. Esse é o útero antevertido. Quando ele passar espéculo nessa paciente, o colo estará na posição posterior da vagina. A bexiga é aquele triangulinho acima do dedo que está na vagina. A outra mão está no abdome, logo acima do pubes.

    Saber a posição do útero é importante quando o médico precisa realizar algum procedimento dentro dele, como uma curetagem, inserção de DIU, histeroscopia, inseminação intra-uterina, essas coisas. Além disso, quem sempre teve o útero antevertido, por exemplo e passa a ter retrovertido deve pesquisar o motivo. A posição pode ter sido alterada por aderências pélvicas, tumorações uterinas ou em órgãos vizinhos, por exemplo.

    Útero retrovertido não causa infertilidade em ninguém. Por isso a tão comentada pergunta "meu útero é invertido, terei dificuldade para engravidar?" a resposta é: não se o motivo for apenas esse. Engravidar não depende da posição do útero, e sim de outros fatores.