terça-feira, 27 de setembro de 2011

É hora de ser mãe ou filha?




Hoje eu fiz o parto de uma menina com 13 anos que deu à luz ao seu segundo filho
Eu sinceramente não sei se era motivo para comemorar ou lamentar. Feliz pela saúde de seu bebê, triste pela situação. Ver a jovem mãe sorrir ao ter seu filho chorando em seus braços me fez pensar no que será do futuro de ambos. Vão viver de quê? quantos filhos mais essa menina terá? ela se sente preparada para ser mãe? Ela está dando conta de criar o mais velho? Ela interrompeu seus estudos? E o pai da criança, quem será? Ela tem apoio da família? Desejou engravidar? Numa fase da vida que ela deveria estar ainda recebendo educação, é ela quem educa outro alguém.  


Tudo bobagem, pura preocupação minha. Problemas sociais à parte eu fico pensando em todos os recursos de planejamento familiar que temos à disposição das pessoas, gratuitamente. Falo do Rio de janeiro, capital, e não de um lugar no interior, cuja realidade é outra. O governo faz campanha, os postos de saúde distribuem anticoncepcionais e camisinhas, sobram DIUs. O que acontece para que as pessoas continuem não evitando uma gravidez indesejada ou não planejada? Digo isso porque eu pergunto a elas se queriam ter engravidado. Elas não respondem um simples: "não" e sim "nããããooo!" então por que? e pergunto sobre métodos contraceptivos e elas me olham com uma cara de interrogação! "_Por que você não usou nada, então?"  "_ ah, não sei.." 


Existem tantos métodos para se evitar uma gravidez, existe até a pílula do dia seguinte. Por que ainda tanta gente não os utiliza quando necessário? Por que tantos abortos provocados por gestações "impossíveis" de se levar à diante? Por que esse mês teve record de abandono de bebês lá na maternidade? 


Enfim, um assunto muito na moda é a gestação em idade avançada, mas não podemos esquecer dos riscos da gestação na adolescência, pois o corpo dessa menina ainda não está preparado para receber um bebê. Gravidez na adolescência é um problema de saúde pública. A adolescente grávida tem maior risco para desenvolver infecções urinárias, hipertensão, prematuridade, anemia, placentas insuficientes, entre outros riscos. Fora o fato de interferir mais na escolaridade, na sua vida conjugal, em fatores psíquicos e sociais. 


Eu não conheço uma garota que tenha engravidado na adolescência por vontade própria, planejando ter um filho nesta idade. Então, onde estará a falha? 

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