quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Quero Evitar Gravidez Sem Tomar Hormônios


    Eu já publiquei um post sobre DIU aqui no blog, mas desta vez resolvi dar uma atenção especial a eles, já que cada vez mais mulheres me procuram no consultório interessadas em métodos contraceptivos sem a utilização de hormônios. A razão para esta procura ser cada vez maior são os efeitos colaterais dos métodos hormonais e suas contra-indicações. O medo de ter trombose, de ganhar peso, de não obter resultados no treino para ganho de massa muscular, dores de cabeça, são apenas alguns dos motivos relatados. 

    Há basicamente dois tipos de DIU (Dispositivo Intra Uterino): os hormonais e os não-hormonais. Hoje vamos conversar sobre o DIU não-hormonal, aproveitando essa atmosfera em que estamos vivendo, em busca do "mais natural". 

          Antes, preciso esclarecer dois mitos! Não, o DIU não é abortivo e, sim, ele pode ser utilizado por mulheres que nunca tiveram filhos. Ele não é abortivo porque seu mecanismo de ação se baseia na liberação contínua de cobre dentro da cavidade uterina. O cobre torna este ambiente hostil ao espermatozoide, ou seja, impede que o espermatozoide atravesse a cavidade uterina para chegar até dentro da trompa onde está o óvulo. Deste modo, não há fecundação, muito menos implantação do ovo na cavidade uterina, assim, se não há gravidez, não há abortamento.
E quanto à mulher nulípara (que nunca teve filhos) poder usar DIU, é uma contra-indicação relativa. Cada caso é um caso. Nas nulíparas pode ser mais fácil acontecer rejeição do DIU, mas a paciente deve ser informada quanto aos prós e contras e devemos escolher o tamanho de DIU que melhor se adapte ao útero de cada mulher. Já tive alguns casos de pacientes que tiveram trombose e que nunca haviam engravidado e desejavam contracepção duradoura. Nestes casos optamos pelo DIU de cobre e deu tudo certo.  :) 

Quem pode usar DIU não-hormonal? 
          
    A mulher que já iniciou vida sexual, não tem risco aumentado para DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), não está grávida e não precisa de tratamento hormonal para corrigir distúrbios de menstruação ou cólicas. Além disso, o DIU como um corpo estranho, não pode ser colocado dentro do útero com infeção. Também é importante avaliarmos o interior do útero da paciente que deseja usar o DIU, pois ele não pode ser colocado na paciente com diagnóstico de pólipos uterinos, malformações uterinas, miomas que provoquem desvio da cavidade ou que estejam dentro dela, bem como qualquer condição que possa atrapalhar o correto posicionamento do DIU. Em casos de pólipos, por exemplo, deve-se primeiro retirá-los cirurgicamente para, então, inserir o DIU. Seu médico pode solicitar uma ultrassonografia para afastar estas situações.

Quais são os efeitos colaterais?
     
    Algumas mulheres se queixam de aumento do fluxo menstrual e/ou cólicas menstruais. Mas a escolha do tipo de DIU influencia na ocorrência destas queixas. "um DIU bem indicado reduz muito a chance de ter efeitos colaterais" 

Quais são os tipos de DIU não-hormonal?

    Para entender melhor, temos DIU de cobre e DIU de cobre com prata. Este ultimo contém prata para diminuir a oxidação do cobre e, assim, reduzir efeitos colaterais como cólicas menstruais e aumento do fluxo menstrual. Também podemos separar os DIUs de cobre de acordo com a quantidade de cobre no dispositivo, assim temos DIUs com 380, 375, 300, 250 mm². Isso implica na duração dele dentro do útero. Os de 380 mm² duram até 10 anos, os de 375 e 300: 5 anos, os de 250: 3 anos. Parece que quanto menos cobre, menos chance de ter efeitos colaterais como sangramento e cólica. Outra diferença importante entre os DIUs é quanto a forma do dispositivo e isso implica no seu tamanho. Assim, temos DIU para úteros com histerometria (medida da distância do colo ao fundo uterino) entre 5-8 cm (forma de Y e de âncora),  e para 6-9cm (forma de T). 

    Tá confuso? então vou colocar abaixo um resumo de outra maneira: 

  ANDALAN SILVER FLEX Cu 380 Ag


Preço médio: 275,00
Durabilidade: 5 anos
Histerometria: de 6-9cm

Combina prata e cobre, permitindo diminuir a fragmentação do cobre, de forma que seu uso se torna ainda mais eficaz, procurando não aumentar o fluxo menstrual e reduzindo a chance de aumento de cólica, comumente provocado pelos DIUs de cobre.
 

  ANDALAN COMFORT Cu375
  OMEGA 375    
  OPTIMA MULTILOAD Cu375

Preço médio: 140,00 a 170,00
Durabilidade: 5 anos
Histerometria: 6-9 cm

Taxa de deslocamento da posição menor que os DIUs em formato de T
Menos efeitos colaterais


 ANDALAN COMFORT MINI Cu 375

 OMEGA 375 MINI  

 MULTILOAD mini


Preço médio: 180,00 a 250,00
Durabilidade: 5 anos
Histerometria: 5-8cm 

É a versão mini do DIU de cobre com 375mm², para úteros menores, 
como das nulíparas. 
Sua haste vertical mede apenas 28 mm



 ANDALAN CLASSIC Cu 380 

 T Cu 380 A 

 T DE COBRE 380 A CEPEÓ PREGNA

 OPTIMA TCU 380 A


Preço médio: 98 a 109,00
Durabilidade: 10 anos
Histerometri: 6-9 cm

Dimensões: 36 mm na haste vertical e 32 mm na haste horizontal
O mais usado no mundo inteiro.






ANDALAN CONFORT Cu 250 

Preço médio:180,00
Durabilidade: 3 anos
Histerometria: 6-9 cm

Tem menor concentração de cobre que, em diversos casos, pode resultar em menor intensidade de cólicas e também um fluxo menstrual mais ameno 




SAFE Cu 300 


Preço médio:  produto indisponível
Durabilidade: 5 anos
Histerometria: uteros menores que 6 cm 

Tem o aplicador mais fino de todos, ideal para as nulíparas. 
Menos doloroso na sua colocação.
De fabricação holandesa, pode ser usado tanto por mulheres que já tiveram filhos como por nulíparas, adolescentes 

OBS: este produto parece estar indisponível no mercado brasileiro. Eu nunca tive a oportunidade de trabalhar com ele. Ao pesquisar sobre o assunto, não o encontrei nos revendedores mais conhecidos. 






Conhecendo estas diferenças, você também terá condições de escolher, junto ao seu médico, o DIU mais indicado pra seu caso.

Para não esquecer:

O DIU é um método contraceptivo bastante eficaz. A taxa de deslocamento do DIU é muito baixa e é mais comum nos primeiros 3 meses. 

O DIU não tem a mesma eficácia para evitar gestação tubárea. 

O DIU pode se colocado durante a menstruação para ter a certeza de que você não está grávida. É, também, o momento onde o canal do colo uterino está mais relaxado, facilitando a colocação. Mas não é obrigado estar menstruada.

O DIU pode ser colocado no consultório e, na grande maioria dos casos, sem a necessidade de anestesia. Em alguns casos será indicado, além da ultrassonografia transvaginal e investigação de infecções genitais e DST, a realização de uma endoscopia uterina, a video-histeroscopia, antes ou durante a inserção do DIU.

O DIU não protege contra doenças sexualmente transmissíveis. Para isso, não deixe de usar o preservativo. 


Existe um método chamado QUICKLOAD que facilita a inserção do DIU 380 Slim Line porque com ele não há contato manual com o dispositivo, como acontece com as demais técnicas de inserção. Além disso, as dimensões são menores propiciando menor desconforto para a paciente, na hora da colocação. 

São várias opções, é só escolher o seu!
Ficou dúvida? é só colocar nos comentários que eu respondo. 
Até o próximo post!

* preços consultados nas lojas on line: DKT, Tele Diu e Drogaria Venâncio


 * sem conflito de interesses

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Mais vacinas, por favor!

Boa noite!!!

Começando o ano trazendo uma notícia anunciada pelo governo em outubro do ano passado... Agora em janeiro os meninos também poderão se vacinar contra o HPV. Parabéns às autoridades que, FINALMENTE, entenderam a importância da vacinação para MENINOS. Avanço no combate aos tipos de câncer provocados por este vírus tão disseminado no mundo todo... 
ENTÃO, MENINOS E MENINAS, TODOS SE VACINANDO, OK?

Ministério da Saúde anuncia vacinação contra HPV para meninos

Desde 2014, vacina é oferecida para meninas de forma gradual.
Vacina protege principalmente contra câncer de colo do útero nas meninas.

vacina contra o HPV: baixa procura no Estado do Rio (Foto: Divulgação/Maurício Bazílio/SES)

A partir de janeiro 2017, meninos de 12 a 13 anos também poderão receber a vacina. A faixa etária será ampliada gradualmente até 2020, quando a vacina estará disponível para meninos de 9 a 13 anos. O esquema vacinal consistem em duas doses, com intervalo de seis meses.
Segundo o Ministério da Saúde, estudos feitos em outros países mostram que a inclusão dos meninos contribui para a diminuição do câncer de colo do útero e vulva das mulheres, já que isso possibilita a diminuição da circulação do vírus na população, o que beneficia o público feminino.
Além disso, os próprios meninos serão beneficiados, já que a vacina protege contra câncer de pênis, garganta, ânus e verrugas genitais, problemas também relacionados ao vírus.
A vacinação contra HPV para meninos também é usada nos Estados Unidos, Austrália, Áustria, Israel, Porto Rico e Panamá. A inclusão dos meninos na vacinação contra HPV segue a recomendação de sociedades médicas brasileiras como a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria.
Outra mudança é que, a partir de 2017, meninas que chegaram aos 14 anos sem a vacina também poderão se vacinar.
A vacinação também será estendida a homens que vivem com HIV entre 9 e 26 anos. Antes, só as mulheres com HIV desta faixa etária podiam se vacinar gratuitamente. No caso desse público, o esquema vacinal é de três doses.