segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Quando amamentar não sai como planejamos

Já não basta a mudança total de rotina quando nasce um bebê, ainda convivemos com o medo de ter uma Mastite nesse período...

Mastite é a infecção da mama que pode ocorrer em quem está amamentando ou não. A área afetada fica dolorida, avermelhada, endurecida, e pode vir acompanhada por febre, calafrios e mal-estar.
Acontece em cerca de 2% das mulheres que amamentam, já que o mamilo ou fissuras imperceptíveis na pele da mama podem servir de porta de entrada às bactérias que moram na nossa própria pele, como a Staphilococcus aureus, ou por bactérias que vem de outros lugares, como o estreptococo beta-hemolítico, E. coli e Haemoplilus influenzae. 

Existe diferença entre a Mastite, o Engurgitamento mamário e obstrução de um ducto mamário. Quando uma parte da mama está endurecida, percebe-se uma "nodulação" dolorida e não há febre, estamos falando de Obstrução de ductos, que é resolvido, na maioria das vezes com aplicação de compressas mornas e massagem local e ordenha da mama afetada. Quando a dor é nas duas mamas, generalizada, as mamas estão cheias, sem se identificar um nódulo ou área dura, tratamos de Engurgitamento, que também se resolve com compressas mornas e ordenha da mama para tirar o leite acumulado. Para isso, muitas vezes é necessário utilização de uma bomba de sucção, dessas compradas em farmácia. Agora, quando há febre, região vermelha, dura, dolorosa, como disse acima, isso é mastite e deve ser tratada com uso de antibióticos, anti-inflamatórios, compressas mornas com massagem para esvaziamento da mama. Muito cuidado com as compressas mornas! Se já tiver ocorrido a formação de um abcesso, podemos não perceber a quentura verdadeira da compressa e acabar queimando a mama. Deus me livre!

A compressa pode ser substituída pelo banho com água morna do chuveiro. Enquanto a água morninha vai caindo sobre a mama, você vai massageando a área afetada e ordenhando a mama para ir esvaziando aos pouquinhos. Você não vai conseguir esvaziar de uma vez. Deverá repetir o processo várias vezes ao dia. Como a água morna pode estimular a produção de leite, uma dica é colocar compressa fria cada vez que terminar a ordenha. Isso vai evitar que a produção aumente num momento que não é para aumentar, mas também não vai cessar a sua produção, e sim, controlar.

Como fazer a ordenha? Faça pequenos movimentos circulares na mama, usando a ponta de dois ou três dedos, sem deslizá-los sobre a pele. Comece massageando a aréola e depois siga o sentido do mamilo para fora, para desobstruir os ductos que estão perto do bico (não adianta desobstruir a parte externa sem tirar o que está obstruindo lá na frente, perto da saída). Após massagear um pouquinho, faça a ordenha: com a mão em forma de C, use os limites da aréola, empurre a mão contra o seu corpo e aperte para permitir a saída do leite. Faça isso várias vezes. Massagem-ordenha-massagem-ordenha. Após tirar o leite como na posição da segunda figura, faça o mesmo movimento em outro sentido, como na terceira figura.




O leite extraído manualmente ou através de bombinha pode ser oferecido ao bebê, mesmo usando antibiótico para tratar a mastite. O uso de um copinho é a melhor maneira de oferecer leite ao bebê porque o movimento que ele faz para mamar no copo é o mesmo que faz na mama. Já o bico da mamadeira é diferente e o bebê pode fazer confusão de bicos e desistir de mamar. A dica de fazer a ordenha manual e dar leite no copinho vale também para quem está com os mamilos muito rachados. Enquanto o mamilo cicatriza você pode ir dando o seu próprio leite no copinho. 

Só para lembrar, a pega correta do bebê é capaz de evitar a fissura dos mamilos.

(texto complementar sobre cuidados com amamentação neste Blog, editado em maio/11)




Amamentar nem sempre é fácil. É preciso orientação profissional, paciência, calma e insistência, além de abrir mão de boas horas de sono, claro, pois o bebê necessita mamar várias vezes durante o dia e a NOITE! Quando pergunto à mãe sobre como está a amamentação e ela responde "_ah, ele é um anjinho, dorme a noite toda", eu me preocupo "_hummmm, este bebê não está mamando exclusivamente ao seio. Amamentar requer um ambiente tranquilo (em minha opinião) e observar alguns (muitos) detalhes: se a posição da mãe e do bebê estão adequadas, se a pega do bebê está correta, se o bebê está pegando bem o peito, etc. Tomar cuidados para que os mamilos não rachem e para que o leite não empedre. Acho que todo mundo sabe quais são as vantagens da amamentação, tanto para a mãe quanto para o bebê. Mas às vezes é preciso fazer uma reflexão. Há mulheres loucas para amamentar, mulheres muito ansiosas, nervosas, passando por dificuldades ou problemas familiares ou afetivos, mulheres que sabem que devem amamentar, mas que, no fundo, não desejam amamentar; mulheres que se entregam de corpo e alma à amamentação, outras que até tentam, mas se houver dificuldade, desistem. Há também mulheres que não podem amamentar, como as que são portadoras do HIV, as que usam quimioterápicos, mulheres com catapora, com lesões de herpes na mama e que estão com tuberculose sem tratamento. Sem esquecer de falar de mulheres que querem amamentar, mas que não conseguem produzir leite suficiente. É o caso de quem fez cirurgia de redução de mama (nem todos os casos) e quem está passando por um estresse. Minha mãe, por exemplo só me amamentou por 15 dias. Ela não tinha licença-maternidade, não tinha apoio do meu pai, estava cheia de problemas e responsabilidades. Resultado: nada de leite. Naquela época não existia banco de leite, não se sabia muita coisa e, por isso, ainda era permitido ter mãe de leite e foi o que me salvou, pois eu não aceitava nenhum outro tipo de leite, papinha, nada. Já o meu irmão traçava tudo que via na frente e  não recebeu leite humano. Eu era uma criança mais saudável que ele.  Resumindo, eu acho que a gestação deve ser desejada e planejada. E isso envolve também a sua entrega no período pós-parto, que não é fácil. Quem amamentou bem sabe dos benefícios, mas quem tentou, fez de tudo e não conseguiu, não vai ser mãe pior por este motivo. Não se culpe por isso, mãe.

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