sexta-feira, 17 de junho de 2011

Quando o bebê não marca hora na minha agenda

Secretária nada, quem faz minha agenda são os bebês.
Pois é gente, então....
Essa semana está muito corrida. Tenho dormido no máximo 5 horas por noite. Aí, né, sexta feira, um fim de tarde lindo de outono (fresquinho com sol e folhas caindo). Um dia light pra mim porque chego em casa antes de 18h, então pensei: hora de cuidar de mim! marquei hora no salão, na drenagem... (1 mês sem fazer o pé e 2 semanas sem fazer a mão. 1 mês sem ginástica, mais de 1 semana sem massagem...) e assim vai continuar. Já no estacionamento do salão, entrei e saí. Paciente internou em trabalho de parto e eu to aqui, né, esperando, esperando... e como quase não postei nada essa semana e estava com saudade, resolvi dividir esse momento com vocês enquanto o bebe não vem. To cansada, com dor de cabeça, mas o Daniel não tá nem aí pra mim. Ele quer nascer e pronto. Já estava na hora mesmo. Trinta e nove semanas de gestação tranquila e a mãe já estava ensaiando há uns 4 dias... no telefonema, hoje, eu já sabia que era a hora. Cheguei aqui e ela estava com 4 cm de dilatação, mas como a contração ainda não está bombando, to segurando um pouquinho antes de fazer a analgesia. A boa analgesia tem que ser feita na hora certa e com anestesista que saiba e goste de fazer. Como está andando bem, o Daniel está encaixadinho e a mãe está colaborando (isso é muito importante) daqui a pouco já estará no ponto de fazer a analgesia e, então, nascerá rapidinho. Bom que dá tempo da anestesista chegar (ela estava numa reunião na escola do filho que anda tirando notas baixas). Nessa horas a gente liga o turbo do carro e sai voando. E ela ainda vem com os filhos junto. Isso me fez lembrar quando eu era criança. Não sei se já disse aqui, mas minha mãe é ginecologista. Eu e meu irmão também éramos especialistas nessa área quando criança. Mas quando crescemos, meu irmão, lúcido, escolheu fazer direito e eu tinha dúvida entre arquitetura, teatro e medicina. Na hora de marcar o X na opção do vestibular não sei o que aconteceu e escolhi medicina. Voltando ao assunto, a gente vivia nas salas de espera das maternidades esperando algum bebe nascer. Quantas vezes ia passar visita nas pacientes com ela, quantas campanhas de vacinação eu participei e me achava o máximo porque naquela época não havia computador e EU era A responsável por fazer quadradinhos no papel contabilizando o número de vacinas do dia. Quantos passeios perdidos, aquele BIP tocava e não havia celular... afe! O meu irmão fazia parto com ela pelo telefone e eu ficava acalmando o coitado. "_ Mãe, quantos centímetros? Já colocou aquele remédio que acelera as contrações? já chamou o tio Zé Carlos (anestesista)".    Bom, já está na hora de examinar novamente, parece que tá na hora. Isso me ajudou a passar o tempo. Vou lá. As unhas vão esperar mais um pouco. A massagista já perdeu as esperanças comigo. Não tenho coragem de andar com os cabelos soltos.

2 comentários:

Michelle Marie disse...

Achei o máximo este post. Sua experiência como filha ajudou vc a ser uma bela profissional com compreendimento da outra parte.

Fernanda Santos disse...

de certa forma, Michelle, rsss. E eu dou conselhos às minhas colegas que já são mães e se sentem culpadas pela ausência, por exemplo. Eu digo a elas que não fiquem tristes, na hora o filho pode até ficar com raiva de desviar o caminho do parquinho, de cancelar um evento, mas depois vai rir de tudo isso e se se sentir orgulhoso da mãe (ou do pai) vai até querer seguir o exemplo... rsss