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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Esperando novidades, mofei.



Em 2012 cheguei de um "Meeting" toda animadinha e cheia de esperanças com promessas de lançamentos de novo adesivo contraceptivo, novo anel, novo DIU medicamentoso e um tratamento novo para Endometriose. Até postei isso aqui. Se animaram também? Pois até agora a única coisa que lançaram foi o tal tratamento novo para endometriose. Mas foi um baita lançamento! Então, aproveitando a onda de novidades, resolvi fazer um post sobre esse lançamento. Bom, na verdade, já nem é tão novidade assim, já que o lançamento da medicação deste post ocorreu há uns 2 anos. Porém, como eu fiquei exatamente 2 anos e meio sem escrever nada aqui no "Toque", pra nós, é novidade.

creditos: pipocadebites.com

Estou falando do Allurene, uma espécie de pílula só com progesterona que deve ser usada diariamente e sem pausa entre as cartelas e tem a intenção de tratar lesões de endometriose, diferente dos anticoncepcionais comuns que podem evitar que a doença avance por suspender as menstruações, mas sem a capacidade de tratamento. 

O Allurene é composto da protesterona "dienogest", a mesma que compõe o Qlaira, que nós já falamos aqui. Neste pouco tempo de uso aqui no Brasil ele vem apresentando boa resposta na redução das lesões de endometriose. As pacientes ficam sem cólicas e depois de algumas semanas ou poucos meses conseguem suspender as menstruações. Claro que cada caso é um caso. As mulheres que tentaram fazer este tratamento e não se adaptaram ou não tiveram o resultado esperado, devem passar para o plano B ou C ou D...

Ele é interessante naquele caso de paciente com endometriose que não pretende engravidar já. Também naquelas que precisam reduzir lesões antes da cirurgia ou quando desejamos evitar um procedimento cirúrgico, por exemplo. 

O legal dessa medicação é o acesso mais fácil a ela do que aos outros medicamentos para tratamento de endometriose, mesmo com o custo elevado. Essas medicações geralmente são um pouco carinhas. Outra vantagem é que pode ser usado sem uma data definida para sua interrupção. Os outros só podem ser usados por curto prazo devido aos efeitos adversos.

Interessante, não? Eu tenho gostado muito. Curti!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Pílula Nova no mercado - 2


Recentemente uma leitora me pediu para escrever um post sobre pílulas e eu respondi que já existe um post sobre o assunto aqui no blog e ainda não havia nenhuma novidade... A-há! FINALMENTE depois de 3 anos surge uma novidade no mundo dos anticoncepcionais.

Um grande laboratório lançou este mês uma pílula nova, diferente, mas concorrente daquela do post  "Pílula nova no mercado" http://toqueginecologico.blogspot.com.br/2011/07/pilula-nova-no-mercado.html, escrito em 2011.
Vale lembrar que eu não tenho nenhum conflito de interesses, ou seja, não tenho nenhum tipo de ligação com este laboratório, minha intenção não é fazer propaganda e, sim, passar informação para vocês.

Qual é? qual é? O nome dela é Stezza. É uma pílula combinada, composta de estrogênio e progesterona, como a maioria delas. Seu estrogênio é o Valerato de Estradiol (assim como a Qlaira) e sua progesterona é a Nomegestrol. Essa combinação permite simplicidade ao tomar os comprimidos porque são todos iguais, ou seja, cada comprimido tem a mesma quantidade de hormônios. A cartela vem com 24 comprimidos de verdade e 4 sem hormônios que servem para manter uma regularidade na tomada das cartelas. Eu concordo que é mais fácil você tomar o remédio todos os dias do que parar alguns dias (neste caso, 4) e ter que se lembrar de começar nova cartela em dia certo, pois é aí que a maioria erra, esquece... É pra isso que servem todas as cartelas que contém comprimidos placebo (de mentira, sem remédio). Vocês podem reparar que as pílulas mais modernas contém cartelas com 28 comprimidos, nos incentivando a não fazer pausa entre as cartelas.


Nem vou falar de eficácia contra gravidez. Neste ponto todas as pílulas são altamente eficazes. Esta nova pílula mostrou vantagens por não apresentar aumento de peso (isso é muito importante!), não provocar acne, não alterar níveis de glicose (açúcar no sangue) e de colesterol, não prejudicar a densidade mineral óssea, não alterar a pressão arterial, ter efeito benéfico nas pacientes que tem um problema chamado "resistência insulínica", assim como no sobrepeso e obesidade, e não mostrou aumento do risco de eventos tromboembólicos. Isso não é tudo! Me pediram pra não contar pra vocês, mas o dedo coça, sabe? A duração deste hormônio no nosso organismo dura um pouquinho mais que as outras pílulas. E daí? e daí que esquecer um comprimido da cartela não nos expõe ao risco de gravidez!!! Mas vejam: o ideal é não esquecer nenhum! mas se.. por um acaso acontecer uma tragédia que a faça esquecer UM , apenas UM comprimidinho naquele mês, não entrem em pânico!

Um sucesso! Bom, isso é o que vamos ver. A pílula é estudada há mais de 7 anos. Já foi lançada na Europa no ano passado. Aqui no Brasil é um recém-nascido, portanto, agora é que vamos observar seus efeitos na prática. A proposta é bem interessante, até porque ela utiliza o Valerato de estradiol, um estrogênio que eu adoro. Ah! Não me perguntem o preço, porque ainda não pesquisei nas farmácias, mas um passarinho me contou que não é cara, comparada às que custam mais de R$ 30,00. Legal, né?

Nós já vivemos um Boom de lançamentos de pílulas anticoncepcionais no passado. Todas tinham o Etinil estradiol como seu estrogênio da composição e uma progesterona X. Só mudavam as doses, o tipo de progesterona e a maneira de tomar a cartela. Há 3 anos veio a Qlaira mudando o estrogênio (uma maravilha) e trazendo uma progesterona nova. Gosto muito desta composição. Tenho resultados ótimos com ela. Agora surge a Stezza, mantendo o Valerato de estradiol e trazendo uma nova progesterona. Acredito que os novos lançamentos sejam todos com o Valerato de estradiol. Vamos aguardar!