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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Mais vacinas, por favor!

Boa noite!!!

Começando o ano trazendo uma notícia anunciada pelo governo em outubro do ano passado... Agora em janeiro os meninos também poderão se vacinar contra o HPV. Parabéns às autoridades que, FINALMENTE, entenderam a importância da vacinação para MENINOS. Avanço no combate aos tipos de câncer provocados por este vírus tão disseminado no mundo todo... 
ENTÃO, MENINOS E MENINAS, TODOS SE VACINANDO, OK?

Ministério da Saúde anuncia vacinação contra HPV para meninos

Desde 2014, vacina é oferecida para meninas de forma gradual.
Vacina protege principalmente contra câncer de colo do útero nas meninas.

vacina contra o HPV: baixa procura no Estado do Rio (Foto: Divulgação/Maurício Bazílio/SES)

A partir de janeiro 2017, meninos de 12 a 13 anos também poderão receber a vacina. A faixa etária será ampliada gradualmente até 2020, quando a vacina estará disponível para meninos de 9 a 13 anos. O esquema vacinal consistem em duas doses, com intervalo de seis meses.
Segundo o Ministério da Saúde, estudos feitos em outros países mostram que a inclusão dos meninos contribui para a diminuição do câncer de colo do útero e vulva das mulheres, já que isso possibilita a diminuição da circulação do vírus na população, o que beneficia o público feminino.
Além disso, os próprios meninos serão beneficiados, já que a vacina protege contra câncer de pênis, garganta, ânus e verrugas genitais, problemas também relacionados ao vírus.
A vacinação contra HPV para meninos também é usada nos Estados Unidos, Austrália, Áustria, Israel, Porto Rico e Panamá. A inclusão dos meninos na vacinação contra HPV segue a recomendação de sociedades médicas brasileiras como a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria.
Outra mudança é que, a partir de 2017, meninas que chegaram aos 14 anos sem a vacina também poderão se vacinar.
A vacinação também será estendida a homens que vivem com HIV entre 9 e 26 anos. Antes, só as mulheres com HIV desta faixa etária podiam se vacinar gratuitamente. No caso desse público, o esquema vacinal é de três doses.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Vacina sem sustos!



Pessoal, vocês sabem que o governo está oferecendo a Vacina contra o HPV para as meninas entre 11 e 13 anos de idade, gratuitamente nas escolas e postos de saúde. Tenho duas coisas pra falar pra vocês.


  1. Todas as meninas e MENINOS  a partir de 9 anos de idade devem se vacinar. Até os 25 anos não é necessário a receita médica. Depois desta idade, sim. O governo escolheu uma faixa etária por motivos financeiros. custo x beneficio. As pessoas de outras idades podem se vacinar nas clinicas privadas ou consultorios médicos. Isso vem causando muita confusão. Tem gente de 20 anos perdendo a oportunidade de se vacinar porque acha que passou da idade".
  2. Sobre o que tem saído na mídia a respeito de efeitos adversos da vacina. às vezes eu penso que a imprensa não tem noção da responsabilidade que tem sobre as pessoas. Mais de 5 milhões de pessoas já se vacinaram só na campanha do governo brasileiro.O programa nacional de imunização emitiu nota de esclarecimento concluindo que a vacinação NÃO SERÁ INTERROMPIDA. O Ministério da Saúde afirma que a vacina é um dos produtos biológicos mais seguros para uso humano, mas como qualquer outro produto  farmacêutico, não estão isentas de apresentarem eventos adversos, ainda que raros. Em setembro deste ano, algumas meninas se apresentaram ao pronto socorro com sintomas de cefaléia, tontura, fraqueza, tremores, dificuldade de andar. TODAS estas meninas foram avaliadas, observadas e em poucos dias voltaram ao normal. Se não estou enganada isso aconteceu com 12 meninas. 12 meninas, entre as 5 milhões que já se vacinaram. Diante destes casos, isolados, não se verificou nenhuma associação causal entre a vacina e algum evento adverso grave. Eventualmente desmaios podem acontecer, o que não é raro ao se aplicar medicações injetáveis em adolescentes. 
Temos que comemorar a adesão à vacina de 90 % do público alvo, só no Brasil. Em todo o mundo já foram aplicadas mais de 180 milhões  de doses da vacina contra o HPV.

Portanto, não tenham medo da vacina! É um grande investimento na nossa saúde! 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Colposcopia



Colposcopia é um exame capaz de visualizar alterações no colo do útero, permitindo sua biópsia para diagnóstico definitivo de lesões provocadas por HPV. No momento da colposcopia a parede vaginal e vulva também podem ser examinadas (vaginoscopia e vulvoscopia).

A Colposcopia é um exame realizado quando há alterações na colpocitologia oncótica (conhecido como "preventivo") ou quando o ginecologista detecta alterações no colo durante o exame clínico (especular), mesmo com resultado normal no preventivo. (ver post sobre HPV e preventivo)

É um exame realizado em consultório e não dói.

A mulher não deve estar menstruada e não deve ter relações sexuais 48 horas antes do exame, nem usar cremes vaginais nos 5 dias anteriores. Também não se recomenda usar duchas vaginais. (aliás, ninguém deve ter o hábito de usar duchas vaginais para nada).

Para sua realização o ginecologista utiliza o aparelho chamado Colposcópio, que tem duas lentes de aumento com ajustes, como um microscópio, que é capaz de visualizar lesões de forma ampliada, não detectadas a olho nú. Isso é possível porque a lesão se destaca quando recebe uma espécie de corante.

Colposcópio
Video-Colposcópio

Após a introdução do espéculo vaginal (bico de pato) o médico molha o colo com solução de ácido acético e o examina através das lentes do colposcópio. Em seguida ele coloca uma solução (Lugol) amarronzada que contem iodo, e novamente examina o colo pelo colposcópio. Se o colo ficar igualmente corado de marrom, significa ausência de lesões. A área que não se corar corresponde à lesão e deve ser biopsiada devido à suspeita se ser lesão pré-cancerígena. Para realizar a biópsia é administrada anestesia local.

A biópsia pode ser pequena ou extensa, depende da lesão, e pode realizada no momento da colposcopia ou através de cirurgia, tudo depende da extensão da lesão e localização. Muitas vezes o médico consegue retirar toda a lesão e o resultado do estudo desse material indica que a lesão tinha margens livres, ou seja, foi realizado o diagnóstico e o tratamento ao mesmo tempo. Porém nem sempre isso é possível.

O exame não demora e, em casos de biópisia é recomendado repouso no dia e abstinência sexual por 1 semana.

A biópsia pode ser realizada através de pinças especiais (saca-bocado) ou cureta de Novak (quando a lesão está na entrada do útero, canal cervical), mas é muito frequente o uso de eletrocautério, que corta e cauteriza ao mesmo tempo. Algumas vezes é necessária a colocação de um tampão vaginal para evitar sangramentos. A própria paciente pode retirar o tampão algumas horas depois.

Cureta de Novak


Alça p/ biópsia por eletrocautério


biópsia do colo





Colo do útero
Acima: lesão (branca) após colocação do ácido acético.
Abaixo: a área que não se corou com o lugol (Teste de Schiller positivo)
corresponde à lesão que deve ser biopsiada



Finalizando, para o diagnóstico de certeza de lesões no colo do útero, provocadas por HPV, precursoras do câncer de colo), faz-se a colposcopia com biópsia. Mas este exame é indicado quando o preventivo mostra alterações relacionadas ao HPV ou a lesão é vista pelo ginecologista durante o exame clínico (especular)

terça-feira, 14 de junho de 2011

HPV pra você entender

Falar sobre HPV é um pouco complicado porque toda hora surge uma novidade, um novo estudo e daqui a algum tempo este post estará desatualizado também.


O que você precisa saber sobre HPV (papiloma vírus humano): é transmitido por via sexual e contato físico. Possui subtipos que causam verrugas (condilomas)  e subtipos que causam lesões no colo do útero, precursoras de câncer. As verrugas são diagnosticadas a olho nu e então, tratadas, já o exame preventivo detecta as lesões do colo em fase que ainda dá tempo para não virar câncer de colo de útero. Na maioria das vezes não é possível saber quando e de quem a pessoa contraiu o vírus. É errado dizer que uma vez com HPV, sempre com HPV. Não fique esperando ter algum sintoma para procurar o ginecologista. Exceto os casos de verrugas, a maioria das infecções não tem sintoma algum. O HPV é um vírus que possui muitos subtipos , mas não deve ser um bicho de sete cabeças. 


O HPV é transmitido por via sexual, mesmo através de contato íntimo pele-a-pele, por isso a camisinha não protege 100%, mas tem grande fator de proteção. O início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros e o hábito de não usar camisinha são de grande influência na contaminação pelo vírus. Grande parte das pessoas sexualmente ativas tem ou terão HPV em algum momento da vida, mas nem todas desenvolverão lesões. Não entrem em pânico! mas fiquem sempre de olho caso surjam verrugas e façam preventivo de rotina!


O HPV é um vírus com mais de 100 subtipos e são divididos em: baixo risco, risco intermediário e alto risco de desenvolvimento do câncer de colo de útero. Os subtipos 6,11 são os de baixo risco mais encontrados causadores de verrugas (condilomas). Já os subtipos 16 e 18 são os de alto risco mais encontrados nos casos de lesões do colo do útero precursoras de câncer (aquelas diagnosticadas no exame preventivo/papanicolaou). A mulher pode se contaminar com os subtipos que causam os condilomas e também com os que causam o câncer.


As infecções provocadas pelo HPV podem ser transitórias, com completa eliminação do vírus (nos casos de pessoas saudáveis, com boa imunidade), mas pode haver re-infecção, eliminação de um subtipo e não de outro ou até evolução para lesões com riscode desenvolver o câncer. 


O exame citológico (ou preventivo) normal,  não diz se a pessoa tem ou não HPV, mas sim o que realmente importa, ou seja,  mostra a infecção, a fase ativa do vírus quando ela se manifesta.


Também não podemos afirmar quando e nem de quem a pessoa contraiu o vírus. Você pode ter adquirido o vírus há 20 anos e só desenvolver a infecção agora, ou até mesmo nunca desenvolver infecção.

Para saber mais:
Sobre os condilomas: podem desaparecer sozinhos, graças à resposta imunológica, e podem ser tratados através de sua excisão com bisturi, com a destruição das verrugas com aplicação de ácidos, pomadas, criocauterização, eletrocauterização e vaporização a laser. Até que as lesões sejam eliminadas deve haver abstinência sexual, o parceiro deve ser avaliado e é importante o uso de camisinha. A pessoa pode permanecer com o vírus em fase latente (sem causar infecção) mesmo após o tratamento das lesões e, em algum momento da vida pode voltar a manifestar mais verrugas. 


Sobre lesões pré-neoplásicas: O HPV é um vírus que, além de condilomas, pode causar o câncer de colo de útero. Este câncer, como dito em post anterior, pode ser evitado quando a mulher realiza o exame preventivo rotineiramente. Este exame não impede que a mulher contraia o vírus, mas pode impedir que ela desenvolva o câncer de colo. Se a mulher está contaminada com este vírus, ele pode estar na fase latente (sem provocar lesões), mas se ocorrer uma diminuição da imunidade, por exemplo, ele se torna ativo e provoca lesões no colo do útero. Se estas lesões não forem detectadas podem evoluir para câncer de colo. 


Reforçando: O câncer não surge do nada. O vírus provoca uma lesão pré-neoplásica de baixo grau e se esta não for curada, pode evoluir para lesão de alto grau e então, o câncer. A mulher que fica anos sem fazer preventivo, pode ter o vírus causando infecção sem saber e perde a oportunidade de detectar alguma lesão no colo que ainda não virou câncer. Por isso fazer o preventivo é tão importante!

De acordo com cada lesão e com o perfil de paciente há uma conduta específica a ser adotada. 


Quais são as lesões que podem aparecer no resultado do preventivo?


Lesão intra-epitelial de baixo grau (LSIL ou LIEBG)
Lesão intra-epitelial de alto grau (HSIL ou LIEAG)
Alterações de células escamosas de significado indeterminado (ASCUS)
Alterações de células escamosas de significado indeterminado, não excluindo lesão de alto grau (ASCH)
Alterações de células glandulares de significado indeterminado ACG-SOE


- Geralmente as lesões de baixo grau são acompanhadas com repetição do preventivo e 90% destas lesões desaparecem em 1 ano. 
- As pacientes com lesões persistentes ou já com lesões de alto grau e com as lesões que evoluirem para alto grau devem realizar outro exame chamado Colposcopia. 

Neste exame pode ser realizado uma biópsia e, o resultado desta pode demonstrar Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) grau 1, 2 ou 3 e, de acordo com cada lesão há condutas específicas para que a paciente não desenvolva câncer ou, no caso do NIC 3, considerado carcinoma in situ, dependendo de avaliação complementar, não desenvolva câncer invasivo. 
- Os casos de ASCUS podem ser acompanhados com repetição do preventivo em 6 meses ou realizar a colposcopia imediata ou a pesquisa do DNA-HPV em pacientes acima de 30 anos. Se a opção foi acompanhar com preventivo de 6 em 6 meses, após dois resultados normais, a paciente pode voltar a fazer a rotina, pois pode ter ocorrido uma alteração por inflamação ou ter sido infecção transitória do HPV. Se o resultado continuar sendo ASCUS ou evidenciar LSIL ou HSIL, realizar Colposcopia. 
-Todos os casos de ASCH devem ser encaminhados para a colposcopia.
-As pacientes com ACG-SOE devem ser submetidas a avaliação do canal  cervical e, nas acima de 40 anos, avaliar também o endométrio (tecido que reveste o útero)


Nos casos submetidos à biópsia, os resultados podem ser: NIC 1, 2 ou 3 (carcinoma in situ)

- As lesões NIC 1 geralmente desaparecem em 1 ano. A paciente com este resultado deve repetir o preventivo de 6 em 6 meses neste período. Caso não desapareça, nova biópsia deve ser realizada
- As pacientes com menos de 20 anos de idade e NIC 2 podem ser acompanhadas com preventivo e colposcopia de 6 em 6 meses por dois anos. Nas mulheres acima de 20 anos ou HIV positivas ou quando a lesão penetra o canal do colo deve ser realizada a retirada de parte específica deste.
- Pacientes com resultado de biópsia NIC 3 ou com NIC 2 com invasão do canal do colo (canal endocervical) devem ser submetidas à retirada parcial do colo uterino (conização) através de técnica de cirurgia por ondas de alta frequencia, laser CO2 excisional ou a frio.
- Na suspeita de câncer in situ ou com microinvasão, persisência de NIC 2 ou 3 após tratamento, e em algumas outras situações especiais a paciente deve ser submetida à Conização clássica em regime hospitalar.
- As pacientes submetidas a conização pela técnica de ondas de alta frequencia cujo diagnóstico é de primeiro estágio de microinvasão com margens livres podem ser acompanhadas com preventivo e colposcopia de 6 em 6 meses, desde que sejam jovens querendo engravidar. Os resultados com margens comprometidas devem ser submetidos à Conização com bisturi. E as pacientes com mais idade e que não desejam ter mais filhos devem ser submetidas à cirurgia de retirada do útero (Histerectomia).

O preventivo, então, é um exame de rastreio. A biópsia, através da colposcopia, confirma a suspeita do preventivo. Portanto pode haver preventivo indicando lesão, mas com biópsia normal. Já os casos em que houve falha no preventivo podem estar relacionados com a qualidade da coleta (amostra insuficiente), preparo inadequado do material colhido, leitura inadequada das lâminas (pelo patologista). Com base nestas deficiências, tem sido proposta a citologia em base líquida, como método preventivo mais moderno e eficaz, porém, estudos recentes mostram que não existem evidências de comprovem que esta nova técnica seja melhor que a convencional. 

O Teste de DNA/HPV através da Captura Híbrida é aprovado, atualmente, para duas situações: em mulheres acima de 30 anos desde que seja feito junto com o preventivo E como um segundo teste frente ao resultado de ASCUS no preventivo.  

Não se esqueça: a vacina contra o HPV está disponível para mulheres e homens a partir de 9 anos de idade, apenas em clínicas privadas. Converse com seu médico e procure uma clínica perto de você.
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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Medo de fazer preventivo?


Ainda hoje eu me surpreendo quando pergunto à paciente quando foi seu último preventivo e ela responde que nunca fez ou tem mais de 3 anos, apesar de ter vida sexual ativa há anos... Hoje uma paciente com 30 anos, que teve sua primeira relação sexual aos 19, me disse que nunca fez preventivo e ainda me perguntou que exame era esse. Gente, alôô.. eu estou na cidade do Rio de janeiro, RJ, Brasil, América do Sul, Terra, Via Láctea! Não pooode! às vezes me respondem que não gostam ou têm medo de fazer preventivo (eu teria medo de ter o câncer). Como ela há muitas mulheres na mesma situação. Meio milhão de mulheres são vítimas de câncer de colo de útero no mundo todo. Pelo menos metade destas mulheres nunca fizeram preventivo ou o último foi há mais de 10 anos. Por isso vim correndo escrever sobre esse tema. Minhas amigas leitoras pacientes parentes alunas blogueiras e antenadas não se incluem neste grupo ou isso era parte do passado. Ao terminar de ler sobre este tema, responda:
 
Seu preventivo está em dia?

O exame preventivo ou colpocitologia ou Papanicolaou é o exame preventivo do câncer de colo do útero e, como o nome diz, pode prevenir o surgimento deste câncer na mulher. O câncer de colo do útero é provocado pelo papiloma vírus humano, o HPV. Esse vírus é sexualmente transmissível e pode causar lesões, entre elas, as que podem ser pré cancerosas na mulher e no homem. Câncer do colo do útero não se pega da mãe e não tem relação com história familiar. Quem já teve ou tem vida sexual ativa pode ter HPV, porém quem faz o exame preventivo rotineiramente pode ter tempo de detectar lesões provocadas por esse vírus e curá-las antes que elas se tornem câncer.

Não vou me estender muito sobre HPV  porque esse será tema do próximo post. O objetivo hoje é chamar a atenção para a importância do preventivo, quem deve fazer, como é feito e com qual freqüência.

Como é o exame?
Ao visualizar o colo do útero através de um espéculo (bico de pato) o médico ou enfermeiro coleta a secreção da parte de fora do colo (ectocérvice) com uma espátula e, em seguida colhe secreção do orifício do colo (endocérvice) com uma escovinha apropriada. O material colhido segue para o laboratório numa lâmina de vidro.



Claro que não tenho a pretensão de ouvir ninguém dizer  "uhu, vou fazer preventivo, que legal! adoro!" Mas ele não dói ou pelo menos não deveria doer. A vagina é elástica e se a paciente estiver tensa, com corpo tenso, a entrada do espéculo vai incomodar. Se o corpo estiver relaxado, o espéculo entra naturalmente e logo se acha o colo no fundo da vagina e o exame é rapidinho. Se a paciente contrair o bumbum, mantiver o corpo todo tenso, não relaxar as pernas, inicia-se uma luta entre ela e quem está tentando introduzir o espéculo. Nesse caso, pode doer ou incomodar e às vezes, tornar impossível a coleta. Se houver alguma determinada inflamação vaginal a paciente também pode ser ardência ou dor no ato. Pode haver um pouquinho de cólica e até um mínimo sangramento na coleta. Ao lado coloquei a foto de um espéculo de metal (esterilizado) e outro de plástico (descartável). Ambos podem ser usados e
possuem diversos tamanhos.
                                                                                                     


Quem deve fazer o preventivo?
Toda mulher deve realizar o exame preventivo a partir de três anos após a primeira relação sexual. Gestantes podem realizar o exame.

De quanto em quanto tempo devo fazer o preventivo?
Após três exames normais com intervalos de um ano entre eles, você pode realizar o preventivo de três em três anos enquanto o resultado for normal.

Quem não precisa fazer o preventivo?
Mulheres que já se submeteram à cirurgia de retirada do útero incluindo o colo por motivo que não tenha sido câncer e mulheres acima de 70 anos, que apresentaram três resultados normais nos últimos 10 anos.

Exceções:
Mulheres infectadas por HIV, transplantadas, em tratamento de câncer, usuárias crônicas de corticoides e mulheres previamente tratadas por leões pré-cancerosas e pelo próprio câncer de colo de útero, devem realizar o exame a cada seis meses no primeiro ano e, se normais, pode passar a realizar uma vez por ano.

Essas são as recomendações mais atuais da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) através do manual de Orientação do Trato Genital Inferior. O mundo todo segue esta rotina, incluindo os países mais desenvolvidos. Contudo você e seu ginecologista podem definir o intervalo para o exame de acordo com a ansiedade de ambos. Mas NUNCA permaneça mais de três anos sem realizar o preventivo!


Outra coisa, o preventivo é O exame que rastreia a presença do HPV ativo (que é o importante), mas pra isso deve ser colhido em condições adequadas, ou seja, o examinador deve visualizar o colo e colher as secreções dos locais corretos (não existe colher preventivo com cotonetezinho. Tem que passar espéculo) a amostra deve ser suficiente para o estudo, a paciente não deve estar em uso de cremes vaginais, não deve ter relação sexual nos dois dias que antecedem o exame e não deve estar menstruada. Às vezes, na mulher que tem muito ressecamento vaginal devido à menopausa, devemos orientar que use um creme à base de estrogênio dias antes da coleta. Outra época ruim para colher o exame é em vigência de inflamações vaginais.  O Preventivo é para prevenir câncer de colo e não para diagnosticar inflamação vaginal. Inclusive, as inflamações atrapalham o resultado, podendo nos confundir. O ideal é tratar a inflamação e depois realizar a coleta para que o resultado não seja falso.

Onde realizar o exame?
Nos postos de saúde em todo o Brasil ou em consultório particular. Tanto o médico treinado (médico de família ou ginecologista), quanto um enfermeiro podem coletar o exame.

No resultado do meu preventivo vem sempre escrito que tem inflamação, mas o ginecologista diz que é normal. Por que?
Porque o preventivo foi feito para detectar alterações por HPV. Se está descrito negativo para neoplasias, ausência de lesões provocadas por HPV, negativo para câncer é porque, se tiver HPV ele não está na sua forma ativa. Logo, preventivo normal. A inflamação vaginal deve ser diagnosticada pelo exame clínico, seus sintomas ou outros exames e testes, quando necessários. Algumas inflamações específicas descritas no laudo e conhecidas pelo ginecologista podem ser tratadas dependendo da situação. Não é o caso de "inflamatório inespecífico, inflamatório leve, moderado, acentuado". Esse resultado deve ser interpretado pelo ginecologista baseando-se no exame especular e nas suas queixas.

A vacina contra HPV está disponível e vale muito à pena (já fiz um post a respeito) mas NUNCA acaba com a necessidade do exame preventivo.

Para saber mais sobre preventivo, visite o site do INCA (que você encontra na minha lista de sites seguros sobre saúde) e procure: tipos de câncer: câncer de colo do útero



quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vacina de HPV para Homens

A notícia já está nos jornais, finalmente! Já saiu a vacina contra HPV em homens.

A vacina Gardasil, do laboratório Merk Sharp & Dohme, que já era utilizada nas mulheres, agora está disponível para homens entre 9 e 26 anos, mas só na rede privada. Ela protege contra as verrugas genitais e espera-se, ainda, que proteja contra o câncer de pênis, ânus e orofaringe, provocados pelo vírus.
Estávamos torcendo para que os homens fossem vacinados porque eles são os principais vetores de lesões causadas por HPV. (agora to torcendo para que a vacina esteja logo disponível no SUS)
Assim como a vacina para mulheres, mesmo quem já teve exposição ao vírus pode se beneficiar para evitar novas infecções.

Daqui a alguns dias haverá um simpósio sobre a vacina e trarei pra vocês mais detalhes, preço, tudinho!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vacina contra HPV


Complementando o post sobre vacinação na mulher...

Você conhece a vacina contra o HPV?

O câncer de colo de útero é a segunda causa de morte por câncer em mulheres em todo o mundo, depois do câncer de mama. O câncer de colo de útero não é hereditário. Ele é causado por alguns subtipos de vírus HPV através de contato íntimo, atividade sexual e por objetos contaminados.  Em 50% da população sexualmente ativa haverá contato com o vírus em algum momento na vida. Na maioria das vezes a infecção pelo HPV não apresenta sintomas. O diagnóstico é feito quando ele se encontra em sua forma ativa causando lesões detectadas pelo exame preventivo (papanicolau, colpocitologia oncótica) que faz o rastreio das infecções, e é confirmado pela colposcopia e biópsia da lesão.

Todas as mulheres devem fazer o exame papanicolau todos os anos quando inicia a vida sexual. Assim, não se perde a chance de detectar a infecção pelo vírus, que é uma lesão pré-cancerosa, mas que se tratada a tempo, não se transforma, posteriormente, em câncer. Os subtipos mais comuns relacionados ao câncer de colo do útero são os 16 e 18, e os relacionados ao desenvolvimento de verrugas venéreas (condilomas) são os 6 e 11.

Hoje em dia estão disponíveis duas vacinas contra o HPV: a quadrivalente, contra os subtipos 6, 11, 16 e 18, do laboratório MSD e a bivalente, contra os subtipos 16 e 18, da GlaxoSmithKline. A vacina deve ser aplicada em meninas acima de 9 anos de idade em três doses. Como o tempo de exposição sexual aumenta a chance de contato com o vírus, quanto mais cedo a mulher for vacinada, melhor.

Infelizmente a vacina contra HPV ainda não está no programa de vacinação do governo e o preço de cada dose não permite que todos tenham acesso a ela, mas a sociedade médica está lutando para que esse quadro mude. Vamos torcer!

Vacinação na Mulher

Hoje recebi um e-mail da clinica de vacinação Vaccini com uma frase linda em homenagem às mães. Dizia: "Mãe é igual a vacina, nos protege e faz bem". Então inverti a frase e fiquei me perguntando porque será que as pessoas só se preocupam em tomar vacinas quando crianças ou quando estão grávidas? Vacina é igual a mãe, nos protege e faz bem! Sempre que inicio um pré-natal eu pergunto quando foi a última vez que a gestante tomou vacina anti-tetânica, por exemplo. A maioria das respostas é "não sei" ou "eu sempre tomo as vacinas do pré-natal". Mas não tem "vacinas do pré-natal", tem vacinas da infância e do adulto. A vacina contra o tétano, por exemplo deve ser tomada a cada 10 anos por qualquer pessoa e todo posto de saúde oferece gratuitamente, fora de campanha. Se a mulher engravidar e a última dose foi há mais de 5 anos e há menos de 10 ela deve fazer um reforço na gestação. Outras duas vacinas importantes para as gestantes são as contra Hepatite B (quando o exame de sangue mostra que ela ainda não foi imunizada) e a da gripe. Aliás, você, mulher gestante antenada, já tomou sua vacina contra gripe este mês?

Em 2010, a FEBRASGO (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia) junto com a SBIm (Associação Brasileira de Imunizações) lançou o Consenso de Vacinação da Mulher com as recomendações para vacinação na gestante, na não gestante e para a puérpera (período pós-parto, amamentando ou não). A vacinação da mulher é muito importante porque permite proteção ampliada, pois a mãe vacinada também protege o feto mesmo após o seu nascimento.

Basicamente, as gestantes devem se vacinar contra tétano (dependendo de quantos anos faz a última dose), hepatite B (quando ainda não foi imunizada) e contra gripe. As mulheres não gestantes podem tomar todas as vacinas e as que estão amamentando só não devem tomar a vacina contra febre amarela.

ATENÇÃO!!! Detalhes que você pode não ter se ligado:
Existe vacina contra HPV
Se você nunca teve catapora (varicela) vale à pena se vacinar para evitar o risco de contrair a doença durante a gestação ou período de amamentação
Se a sua vacina anti-tetânica não estiver em dia você pode contrair tétano em um acidente com material contaminado (até acidente de carro, um corte com um pedaço de ferro...)
Hepatite B é transmitida por sangue contaminado, como na relação sexual e é cem vezes mais contagiosa que o HIV
É muito fácil contrair o vírus da Hepatite A, doença que pode ser fulminante e extremamente grave na gestação
O número de casos de coqueluche vem crescendo entre adolescentes e adultos
Se você está em tratamento de fertilização, recomenda-se as seguintes vacinas: Hepatite A e B, HPV, Meningite, Influenza, Sarampo, Caxumba, Rubéola, Difteria, Tétano, Coqueluche, Varicela, Febre Amarela (em situações epidemiológicas que a indicam).


Então você já sabe, na próxima consulta com seu médico (clínico ou ginecologista) leve (se possível) sua caderneta de vacinação e não se esqueça de perguntar a ele se você está em dia!

A seguir você pode consultar calendário de vacinação da mulher: